Investimento produtivo deve fechar o ano em 19%, diz Coutinho

Segundo presidente do BNDES, patamar é o registrado em 2008; ele cita processo de retomada de investimentos

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

17 de junho de 2009 | 13h02

O presidente do Banco Nacional De Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse nesta quarta-feira, 17, que espera que a taxa de investimentos da economia brasileira medida pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deve fechar o ano em 19%, mesmo patamar registrado em 2008.

 

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Segundo ele, a despeito da crise financeira e da retração da economia brasileira, já há sinais de que o investimento passa por um processo de retomada. Coutinho disse que inicialmente este aumento do investimento tem sido induzido pelas ações do governo, como no setor de petróleo e gás (via Petrobras), energia (via Eletrobras) e em habitação(via projeto Minha Casa, Minha Vida).

 

Outros setores que podem apresentar reação, segundo ele, são os de rodovias (com a licitação de novas concessões à iniciativa privada, nos estados) e de saneamento básico. O presidente do BNDES afirmou que esses setores foram pouco afetados - ou até, em alguns casos, não foram afetados - pela crise financeira.

 

Os reflexos da turbulência financeira, segundo ele, foram sentidos principalmente pelo setor de commodities que apenas postergou os investimentos e não cancelou os novos projetos. Durante palestra no Ministério do Planejamento, Coutinho exaltou o papel das empresas e dos bancos públicos no Brasil. Segundo ele, "países emergentes precisam de empresas e bancos públicos fortes". Para ele, o Brasil é um exemplo por ter instituições como a Petrobras, Eletrobras e o BNDES, presidido por ele.

 

Para os próximos meses, o presidente do BNDES espera a retomada dos investimentos também na iniciativa privada. Com a expectativa de que o uso da capacidade instalada da indústria volte a superar 80% nos próximos meses, Coutinho acredita na retomada dos aportes de investimentos já no segundo semestre e um aumento mais expressivo em 2010. Entre os setores que receberão mais recursos, Coutinho enumerou os ramos de petróleo e gás, energia, logística e agronegócio.

 

Emergentes

 

O presidente do BNDES afirmou que há um "certo descolamento" dos países emergentes da economia global. Segundo ele, esses países deverão ser o motor da economia mundial, revertendo uma situação histórica, em que eles eram puxados pelos países centrais. Na visão de Coutinho, no grupo dos emergentes, o Brasil vai ser um destaque, pois o País está saindo mais cedo da crise do que os outros. Segundo ele, essa também é a percepção dos mercados, o que está explicitado na medida de risco País, em que a do Brasil está bem melhor do que a do conjunto dos países emergentes.

 

Para ele, os investidores percebem o País como um dos mais bem estruturados do ponto de vista macroeconômico e por isso há confiança maior no Brasil. "A percepção de risco sobre o Brasil é muito melhor do que dos demais emergentes. Isso reflete a solidez da política econômica brasileira", disse Coutinho, lembrando que o sistema bancário brasileiro se mostrou muito sólido, o que é um fator adicionalmente favorável ao País.

 

Por conta das boas condições da economia brasileira e da perspectiva de continuidade do crescimento do consumo das famílias, Coutinho considera que o Brasil pode crescer 4% na média de 2009 a 2012, mesmo com um crescimento pequeno neste ano. "Haverá uma aceleração a partir do ano que vem", afirmou o presidente do BNDES, que considera que já em 2010 o País deve crescer "4% ou mais".

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