Investimento recorde e consumo animam PIB no 3o trimestre

A economia brasileiracresceu mais que o esperado no terceiro trimestre, com destaquepara o mercado interno impulsionado por investimentos e peloconsumo das famílias. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) divulgados nesta quarta-feira mostraram expansão de 1,7por cento no terceiro trimestre frente ao trimestreimediatamente anterior. Economistas consultados pela Reutersestimavam alta de 1,4 por cento. Em relação ao mesmo período do ano passado, o ProdutoInterno Bruto (PIB) se expandiu 5,7 por cento --maior taxadesde o segundo trimestre de 2004 e também acima da projeção deanalistas, de 4,8 por cento. "Desde 2004 não há um crescimento tão robusto. Em 2004, ocrescimento dependeu das exportações e agora está dependendomuito mais da demanda interna", afirmou Rebeca Palis, técnicado IBGE. "Por qualquer ótica o investimento é destaque. O próprioaquecimento da economia favorece o investimento. Além disso, ocâmbio também favorece a importação de máquinas e equipamentose a produção interna está bem aquecida." Para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, oresultado "é a evidência mais concreta da retomada da confiançae da maior previsibilidade conquistada pela economia brasileiraao longo dos últimos anos, que permite o aumento da capacidadeprodutiva". INVESTIMENTO EM ALTA A formação bruta de capital fixo --uma medida dosinvestimentos-- avançou 4,5 por cento frente ao segundotrimestre e 14,4 por cento em relação ao mesmo período do anopassado. A variação frente ao terceiro trimestre de 2006 é amaior da série histórica, iniciada em 1996, e marcou a 15a altaseguida. "O destaque principal é o forte crescimento da formaçãobruta de capital fixo... crescendo a uma taxa maior que a doPIB", comentou Silvio Campos Neto, economista-chefe do BancoSchahin. "No curto prazo, é natural que o Banco Central continuecauteloso (com a política monetária) por causa de pressões comoa dos alimentos sobre a inflação. Mas o risco de inflação dedemanda fica mais afastado", acrescentou o economista. O destaque entre os setores foi a agropecuária, que cresceu7,2 por cento na comparação com o segundo trimestre. Aindústria avançou 1,8 por cento e os serviços cresceram 1,2 porcento. Frente a 2006, a agropecuária avançou 9,2 por cento, o que"pode ser em grande parte explicado pelo desempenho de algunsprodutos como trigo e cana-de-açúcar", de acordo com o IBGE. Odesempenho da indústria de transformação também se destacou noperíodo, com um avanço de 5,7 por cento. A taxa de investimento no terceiro trimestre do ano somou oequivalente a 18,3 por cento do PIB, o maior patamar paraterceiros trimestres desde 2000, início da série histórica dedados do IBGE. A taxa de poupança, que somou 19,4 por cento no período,foi inferior à do terceiro trimestre do ano passado, quandoatingiu 20,1 por cento do PIB. O crescimento do PIB acumulado nos últimos quatrotrimestres encerrados em setembro é de 5,2 por cento --taxamais forte desde 2004, segundo o IBGE. A economia também cresceu mais que o inicialmente estimadono último trimestre do ano passado e na primeira metade de2007, de acordo com revisões feitas pelo IBGE. (Reportagem adicional de Daniela Machado)

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