Investimento tem maior alta em 3 anos

Compra de máquinas e equipamentos para a construção civil e agropecuária ajudou no avanço de 3,6% dos investimentos no 2º trimestre

VINICIUS NEDER / RIO, COLABOROU MARIANA DURÃO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h11

Pelo segundo trimestre consecutivo, os investimentos foram destaque no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e puxaram a indústria. Mas, segundo economistas, ainda é cedo para constatar uma mudança no padrão da economia. As projeções são de que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) tende a perder fôlego a partir do terceiro trimestre, e ficar abaixo da alta de 3,6% registrada no segundo trimestre sobre o primeiro, informada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

No primeiro semestre, o crescimento dos investimentos e do PIB da indústria voltou ao ritmo acelerado verificado em 2010. A alta da FBCF no segundo trimestre de 2013 ante o igual trimestre de 2012 (9,0%) foi a maior nesse tipo de comparação desde o quarto trimestre de 2010. Com isso, a taxa de investimento foi a 18,6% do PIB. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a alta de 2,8% foi a maior desde o primeiro trimestre de 2011.

Segundo o IBGE, o destaque foi a indústria de transformação (alta de 4,6% ante o segundo trimestre de 2012), puxada por segmentos relacionados aos investimentos, como máquinas e equipamentos, aparelhos elétricos, equipamentos médico-hospitalares e indústria automotiva.

Para Rebeca Palis, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, os investimentos são a grande diferença no ano: "Ano passado, em todos os trimestres os investimentos caíram, na comparação contra o mesmo trimestre do ano anterior, e agora a gente teve uma recuperação. No primeiro semestre inteiro houve aumento dos investimentos, e acima da média da economia."

Segundo Fernando Puga, superintendente da Área de Pesquisas Econômicas do BNDES, os investimentos já mapeados pela instituição apontam alta de 5,0% nos aportes neste ano, recuperando da queda de 2012. Mas isso já inclui um crescimento mais fraco no segundo semestre. "O movimento foi muito forte no primeiro semestre e a expectativa é de moderação."

Desaceleração. A LCA Consultores, por exemplo, projeta queda nos investimentos neste terceiro trimestre, por causa da alta do dólar e da queda na confiança dos empresários.

Segundo Braulio Borges, economista-chefe da LCA, está começando a haver uma mudança de ênfase da política econômica, pois, desde meados de 2012, "boa parte das políticas" focou nos investimentos e em melhorar a competitividade, mas, "para que isso se sacramente", as concessões em infraestrutura precisam ter sucesso.

As incertezas que podem minar o investimento são ainda maiores na indústria. Segunda-feira, a Fundação Getulio Vargas apontou queda de 0,6% no Índice de Confiança da Indústria em agosto sobre julho, enquanto o Indicador de Nível de Estoques caiu 3,8%. O superintendente adjunto de Ciclos Econômicos, Aloisio Campelo, avaliou que os dados desautorizavam qualquer otimismo.

Para Rogério César de Souza, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, essas expectativas têm oscilado. "A atividade na indústria está volátil, mas tende ao crescimento, ainda que tímido e frágil", disse.

Fabio Silveira, economista da consultoria GO Associados, destaca o peso da construção civil - cujo PIB subiu 3,8% no segundo trimestre - na alta dos investimentos, puxando a demanda por máquinas e equipamentos. Outra fonte de demanda por máquinas foi a agropecuária, que teve as altas mais fortes do PIB - 3,9% em relação ao primeiro trimestre e 13% na comparação com o segundo trimestre de 2012. Segundo o IBGE, a supersafra de soja deu o principal impulso. Mas como o peso da agropecuária no PIB fica em torno de 5%, o impacto no crescimento total é pequeno. /

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