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Investimento tem queda recorde e BC vê maior recuo em 2009

Relatório do BC atribui contração de 9,8% no último tri de 2008 à crise; documento prevê maior desemprego

Fabio Graner e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

30 de março de 2009 | 10h32

O Banco Central previu no Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta segunda-feira, 30, que haverá uma desaceleração nos investimentos na economia brasileira em 2009. Sobre 2008, o documento destaca que o resultado negativo em relação à demanda da economia foi a contração dos investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo - FBCF). Segundo o BC, a FBCF contraiu 9,8% no último trimestre de 2008, frente ao trimestre anterior. É a maior queda desde o início da nova série do IBGE, de 1996.

 

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O BC destaca, no entanto, que a situação pode evoluir para um cenário mais benigno, na medida que a demanda interna mostrar recuperação. De acordo com o BC, o investimento que vinha se configurando como componente mais dinâmico da demanda doméstica foi o que apresentou maior ajuste no quarto trimestre de 2008. Segundo o BC o agravamento da crise financeira mundial levou à deterioração do cenário para investimentos.

 

Devido a queda nos preços das ações, afirma o documento, a opção pelo financiamento via mercado de capitais perdeu atratividade. "Além disso, a depreciação do real pode ter determinado um aumento nos custos de bens de capital importados, com impacto adverso sobre o volume de investimentos", afirma o relatório.

 

Desemprego

 

O BC prevê desemprego ao longo dos próximos meses. "Mesmo que haja alguma recuperação na margem da produção industrial e a despeito dos números mais animadores de vendas no varejo, a redução do nível de atividade pode se refletir em aumentos da taxa de desemprego ao longo dos próximos meses", previu o BC no Relatório Trimestral de Inflação. Para o BC até o momento a concessão de férias coletivas, a diminuição da jornada de trabalho e outras medidas emergenciais "tem mitigado a elevação das taxas de desemprego".

 

Na avaliação do Banco Central, a taxa de desemprego "tende a experimentar" elevação nesse e nos próximos trimestres, refletindo não só padrões sazonais como também os efeitos da crise econômica mundial sobre a economia doméstica.

 

 

Crise global

 

Para o BC, a crise econômica global ainda não apresenta sinais de arrefecimento. De acordo com a avaliação, a amplitude da crise tem se mostrado mais abrangente do que inicialmente previsto, principalmente no que se refere ao impacto nos mercados emergentes. A depreciação cambial, ocorrida desde setembro de 2008 junto com a queda do preço das commodities tem se mostrado até o momento mais benigno do que o antecipado.

 

O BC destaca que os preços das commodities constituíam fator de grande incerteza para o cenário de inflação no último relatório de dezembro. Para o BC, após mais de um ano de sua eclosão a crise do subprime continua surpreendendo negativamente em países emergentes, inclusive na economia brasileira.

 

Para o BC a economia brasileira que até o terceiro trimestre vinha mostrando resistência à crise, passou a sofrer impacto na atividade econômica. "De fato, em parte como resultado da ocorrência de um ajuste de estoque nos últimos meses, a retração da atividade na economia doméstica tem sido intensa", afirma o documento.

 

Mercado de capitais

 

Segundo o BC, é "plausível supor que a distensão da política monetária leve a uma recuperação no mercado de capitais doméstico, especialmente no tocante a operações de renda fixa". Ainda de acordo com o relatório, o agravamento da crise internacional afetou o dinamismo do mercado de capitais brasileiro, em um ambiente de retração do crédito. Na visão da autoridade monetária, o crédito tem tido "papel central" na desaceleração econômica do País.

 

"O alargamento dos spreads bancários, mesmo diante da redução do custo de captação dos bancos, ao lado do encurtamento de prazo contratual do crédito, de, caso persiste, contribuir para conter a demanda agregada. Por outro lado, uma recuperação do crédito, ou em termos mais amplos, das condições financeiras em geral, incluindo o mercado de capitais, pode ensejar retomada mais rápida do que se antecipa atualmente", diz o BC.

 

 

 

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