Investimento teve queda recorde

Formação bruta de capital fixo caiu 12,6% no primeiro trimestre ante o período anterior, no pior recuo da série

Fernando Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

O investimento bateu recordes de queda no primeiro trimestre de 2009. Na comparação com o último trimestre de 2008, a chamada formação bruta de capital fixo (FBCF, um conceito muito próximo do investimento)recuou 12,6%, descontando-se as variações sazonais. Foi a pior queda da série iniciada em 1996. No último trimestre do ano passado, o investimento já tinha recuado 9,3% ante o trimestre anterior.Ante o primeiro trimestre de 2008, o recuo foi de 14%, também o pior da série. Nessa segunda base de comparação, foi o primeiro resultado negativo desde o último trimestre de 2003. O colapso no investimento, na esteira da crise global iniciada em setembro do ano passado (anteriormente ele vinha crescendo de forma sustentada a um ritmo acima dos dois dígitos), está ligado a vários fatores. Os principais são a forte redução na produção e na importação de máquinas e equipamentos e o recuo da construção civil, que crescia a uma média de 10% ao ano nos três primeiros trimestres do ano passado, antes da crise.Os técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou os resultados do PIB trimestral ontem, notaram que a queda nos investimentos pode ser explicada pela alta do câmbio (que inibe a importação de máquinas e equipamentos); pelo fato de a Selic (taxa de juros) média do primeiro trimestre de 2009 ter sido de 12,5%, acima dos 11,2% de igual período de 2008; e pela redução do crescimento do crédito não direcionado às empresas, de 42,9% no último trimestre de 2008 para 32,1% no primeiro trimestre de 2009.A queda dos investimentos no primeiro trimestre, maior do que a do PIB, fez com que a taxa de investimentos recuasse para 16,6% do PIB, o que se compara com 18,4% em igual período de 2008. A taxa de poupança da economia, por sua vez, caiu de 15,3% do PIB no primeiro trimestre de 2008 para 11,1% de janeiro a março de 2009.Os economistas tendem a ver a queda dos investimentos como fenômeno mais conjuntural do que estrutural. Sérgio Vale, da MB Associados, calculou que a taxa de investimentos nos 12 meses até março se mantém no nível de 18,6% do PIB. Ele acha que as exportações e o investimento são componentes da demanda que devem continuar a sofrer até o fim do ano.Vale observa que os investimentos cresceram acima de 10% por quase três anos, e hoje, com os efeitos da crise, há uma "enorme" capacidade ociosa na indústria. "Não faz sentido investir com tanta incerteza, mas em 2010 deve melhorar, com um grau maior de confiança na economia brasileira e, principalmente, na internacional.Já Roberto Padovani, estrategista do banco WestLB no Brasil, pensa que "os papéis tendem a se inverter" ao longo dos três últimos trimestres de 2009, com a gradual recuperação da indústria e do investimento, e um esfriamento do consumo, na esteira do maior desemprego. Fernando Rocha, economista e sócio da JGP Investimentos, acrescenta que os investimentos tendem a se recuperar com a recente valorização do câmbio (já que as máquinas e equipamentos importados ficam mais baratos).SETOR EXTERNOO setor externo teve uma contribuição próxima à neutralidade no PIB do primeiro trimestre de 2009, com quedas das exportações e importações, tanto em relação ao trimestre anterior (na série dessazonalizada) quanto a igual período do ano passado, na faixa de 15% a 16%. Pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2006, o setor externo não contribuiu negativamente para o PIB.

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