Investimentos chegam a 20,4% do PIB, maior resultado desde 2001

A taxa de investimento do País chegou a 20,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, maior taxa para o mesmo período desde 2001 (20,6%). No ano passado, a taxa ficou na média em 19,9%. O crescimento dos investimentos puxaram o avanço da economia brasileira, que somou R$ 478,9 bilhões nos primeiros três meses do ano, conforme os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto a expansão da economia brasileira foi de 3,4% no trimestre, tomando como base o mesmo período do ano passado, isoladamente os investimentos avançaram 9% ante o primeiro trimestre do ano passado."O investimento cresceu mais do que o PIB. Isso fez com que a taxa tivesse crescido no período", explica a técnica do IBGE Maria Laura Muanis. Segundo ela, alguns dos motivos para o avanço dos investimentos são o ano eleitoral, programas como o de recuperação das estradas e a taxa de juros menor. Nesta quinta, o instituto divulgou os valores do PIB, além da taxa de investimento. No fim de maio, o órgão já havia informado os porcentuais de crescimento da economia.Na comparação com o último trimestre de 2005, o PIB cresceu 1,4% em termos reais (descontada a inflação). Para o segundo trimestre do ano, o Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) prevê uma leve desaceleração do crescimento (1,2% sobre o primeiro trimestre) e projeta um crescimento de 3,8% do PIB para 2006. Justamente o desempenho no primeiro trimestre fez o Ipea aumentar a projeção de avanço dos investimentos de 5,8% para 7,8% em 2006, fechando o ano numa taxa de 20,5% sobre a economia brsileira.Demais parcelasAs demais parcelas do PIB, pela ótica da demanda, foram as seguintes: consumo das famílias R$ 277,8 bilhões, consumo do governo R$ 84,6 bilhões, exportações de bens e serviços R$ 74,8 bilhões, importação de bens e serviços, R$ 58,8 bilhões. Por setores, a indústria movimentou R$ 168,6 bilhões, agropecuária R$ 34,7 bilhões e serviços R$ 248,3 bilhões. Do valor total do PIB divulgado ontem, R$ 54,2 bilhões foram impostos sobre produtos.De forma geral, o peso dos setores ficou quase estabilizado. Uma estimativa do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) indica que o peso da indústria no PIB cresceu ligeiramente, de 36,9% para 37,3%, e de serviços de 54,4% para 55%, favorecidos pelo avanço da massa de salários. Já o peso relativo da agropecuária encolheu de 8,7% para 7,7% da economia. O IBGE calcula estes pesos apenas com o resultado fechado de cada ano.Além do investimento, a outra parcela que puxou o crescimento do PIB no trimestre foi o consumo das famílias, que cresceu 4% sobre o primeiro trimestre de 2005. Como o consumo cresceu, sobra menos para poupar na economia, afirma Maria Laura. Isso explica, simplificadamente, por quê a taxa de poupança recuou de 22,4% no início do ano passado para 21,6% no primeiro trimestre deste ano.Ainda segundo os dados do IBGE, a capacidade de financiamento da economia (comparável ao superávit em conta corrente) foi de R$ 3,6 bilhões - R$ 3,6 bilhões abaixo dos R$ 7,2 bilhões no período ano passado. A redução, segundo o IBGE, foi causada principalmente pelo encolhimento do saldo externo de bens e serviços e pelo aumento de envio de receitas de lucros e dividendos ao exterior. O aumento mais forte das importações do que das exportações reduziu o saldo externo de bens e serviços.PIB Do total de R$ 478,9 bilhões acumulados nos três primeiros meses do ano, R$ 424,6 bilhões foram resultados de Valor Adicionado a preços básicos (lucro sobre comercialização, produção de mercadorias ou prestação de serviços) e R$ 54,2 bilhões de Impostos sobre Produtos. Dentre os componentes do Valor Adicionado, o grupo de maior representatividade foi o de Serviços, com R$ 248,3 bilhões. Em seguida, veio a Indústria, com R$ 168,5 bilhões. Por último esteve a Agropecuária, que atingiu R$ 34,7 bilhões.Este texto foi atualizado às 18h05.

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