Tiago Queiroz/Estadão
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Pequeno investidor diversifica carteira, mas auxílio emergencial garante liderança à poupança

Entre os brasileiros com menos de R$ 100 mil investidos, de cada R$ 100 em aplicações financeiras, R$ 42,3 estão na poupança

Ernani Fagundes, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2021 | 15h26
Atualizado 10 de fevereiro de 2021 | 01h57

Impulsionada pelo pagamento do auxílio emergencial nas contas digitais da Caixa Econômica Federal, a caderneta de poupança passou a ocupar uma fatia ainda maior na carteira dos clientes dos segmentos de varejo tradicional, onde estão pequenos investidores, e varejo de alta renda em 2020.

O porcentual em poupança aumentou de 40% do total de investimentos em 2019 para 42,9% em 2020. Ou seja, de cada R$ 100 em aplicações financeiras, R$ 42,3 estão na poupança, segundo dados divulgados pelo presidente do Fórum de Distribuição da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), José Ramos Rocha Neto, nesta quinta-feira, 4.

No segmento de varejo tradicional o volume em poupança atingiu R$ 810 bilhões, alta de 22,8% em 2020, em comparação com 2019. No varejo de alta renda, que inclui investidores com valores entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão aplicados, o volume em poupança cresceu 15,5%, para R$ 142,4 bilhões no fim de dezembro. "Sem o auxílio emergencial, talvez a poupança não consiga manter esses níveis de crescimento", diz Rocha Neto. "A poupança já começa a ser consumida."

O total investido por pessoas físicas no País cresceu 13,4%, de R$ 3,263 trilhões em dezembro de 2019 para R$ 3,701 trilhões em dezembro de 2020, segundo a Anbima. Por segmento, o varejo tradicional cresceu 20,3%, para R$ 1,164 trilhão, o varejo de alta renda avançou 6,7%, para R$ 1,054 trilhão, e o private, os investidores que têm mais de R$ 1 milhão aplicados, evoluiu 13,5%, chegando R$ 1,482 trilhão em recursos em aplicações financeiras.

CDBs e ações 

Rocha Neto disse que o certificado de depósito bancário (CDB) também ganhou espaço no varejo (tradicional e alta renda), provavelmente refletindo a saída de fundos de renda fixa para ativos de liquidez diária. A fatia em CDB passou de 10% em 2019 para 13,6% de participação em 2020.

"A diversificação dos investimentos das pessoas físicas também aumentou", identificou Rocha Neto. Pelos dados da Anbima, a fatia em ações por investidores de varejo subiu de 4,3% para 5,7% das carteira. A participação em fundos multimercados avançou de 6,2% para 6,3%, enquanto nas Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) evoluiu de 2,7% para 2,8%.

Na ponta contrária, os investidores de varejo reduziram a exposição em fundos de renda fixa, de 23,1% para 16,1%; Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), de 4,8% para 3,7%; fundos de ações, de 2,3% para 2,1%, e em títulos públicos no Tesouro Direto, de 2,1% para 2%.

A administradora Valéria Fillipin, de 25 anos, está entre os investidores que ajudaram a aumentar o volume de aplicações na poupança. Quando recebeu, em setembro do ano passado, a doação de cerca de R$ 30 mil de uma tia, ela foi influenciada pelo pai e colocou o valor na poupança - nenhum deles conhecia outros investimentos. "Abri a conta para colocar o dinheiro que ganhei e, depois que arrumei um emprego, tenho colocado todo mês uma quantia lá. Para ser sincera, não pesquisei o que seria melhor fazer com o dinheiro", conta. Assim como o pai, Valéria classifica o rendimento na poupança como "suficiente". 

Ao contrário dela, o fluminense Eric Branco, de 23 anos, trocou a poupança pela Bolsa de Valores no ano passado. Com a quarentena, ele conseguiu poupar mais e viu na renda variável uma chance de obter mais retorno. “Descobri que eu poderia ser acionista das empresas que já conhecia e decidi experimentar”, diz. Até então, ele não tinha conhecimento sobre o assunto e mal sabia que era possível comprar papéis com pouco dinheiro. Foram dois meses consumindo conteúdo sobre investimentos no internet até que ele estivesse confiante para ingressar no mercado de forma segura, com ações e fundos imobiliários.

Fundos de investimento

No private, o volume financeiro em ações cresceu 38,8%, enquanto a participação em fundos de renda fixa passou de 8,7% em 2019 para 5,9% em 2020, a menor participação da série histórica da Anbima, iniciada em 2009.

No volume total, o  número de contas em fundos de investimento aumentou 20,57%, chegando a 25.367.067 contas em dezembro de 2020. "O cenário macro foi muito importante por causa da queda dos juros, mas também teve um movimento de digitalização, de busca por informações. Acredito que esse crescimento do mercado de fundos, de democratização e maior acesso é só começo", disse a estrategista-chefe da Rico Investimentos, Betina Roxo.

No varejo tradicional, o número de contas subiu de 6,794 milhões em 2019 para 7,643 milhões em 2020, uma alta de 12,5% no período. No varejo de alta renda, o número de clientes avançou 14,2%, de 5,948 milhões para 6,794 milhões, na mesma base de comparação.

No segmento private foram adicionados 189,32 mil novos cotistas, um crescimento de 21% no período, de 874,4 mil, em 2019, para 1.063.720 contas, em 2020. / COLABORARAM DAVI MEDEIROS e CRIS ALMEIDA

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