Rafael Neddermeyeri/Fotos públicas
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coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Investimentos de brasileiros superam R$ 3 tri no 1º semestre, puxados pelos mais ricos

Mais pobres sacaram mais do que depositaram para pagar despesas de começo de ano, segundo associação de entidades do mercado financeiro

Renato Jakitas, Talita Nascimento e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2019 | 13h45
Atualizado 09 de agosto de 2019 | 12h58

O volume investido por pessoas físicas cresceu 5% no primeiro semestre e bateu, pela primeira vez, a marca de R$ 3 trilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Em dezembro do ano passado, esse montante era de R$ 2,91 bilhões.

A alta foi puxada por investidores de alta renda e pelo segmento de private banking (com investimentos a partir de R$ 3 milhões). Essas duas categorias, somadas, tiveram crescimento de cerca de 19% do montante investido no semestre.

O aumento do patrimônio nessas faixas de renda, assim como a realocação de recursos para tomar risco, é avaliada como uma das consequências dos juros baixos. “Com as taxas de juros mais baixas, a rentabilidade de produtos mais arrojados tiveram um incremento considerável em relação aos investimentos de renda fixa”, diz Claudio Sanches, diretor de Produtos de Investimento e Previdência do Itaú Unibanco

Para Gilberto Abreu, diretor de investimentos do Santander Brasil, no geral, o aumento não impressiona. “Estamos crescendo perto da inflação, não há tanto dinheiro novo entrando. O que acontece é uma realocação de recursos”, diz. De fato, os números da Anbima mostram que os clientes de patrimônio maior buscaram mais diversificação de ativos, migrando para a renda variável. Desde junho de 2015, o setor de private banking diminuiu de 20,9% para 11,5% os investimentos em LCI e LCA, produtos de renda fixa. Em contrapartida, os montantes em fundos multimercados cresceram de 24,1% para 31,1% no mesmo período, tendo uma leve variação para baixo no último semestre. Cresceu ainda de 3,4% para 6,4% a parcela investida diretamente em ações.

A opção de tomar mais risco foi a escolhida por Rodrigo Quaresma, engenheiro , após o vencimento de um Título do Tesouro Direto no qual havia alocado parte de sua reserva. “Fui instruído sobre a queda dos juros e como isso afetaria a minha rentabilidade na renda fixa”, diz. A escolha de Rodrigo foi diversificar seu dinheiro entre fundos de ações e multimercados. 

Varejo

Se por um lado as pessoas de patrimônio maior lideraram a alta, o varejo tradicional diminuiu em 4,8% os recursos investidos. Do que restou, a maior parte segue aplicada na caderneta de poupança. O professor de economia do Mackenzie Agostinho Celso Pascalicchio avalia que essa queda mostra que pessoas de renda menor estão mais sujeitas à desaceleração da atividade econômica, tendo menos resistência para manter os investimentos. Além disso, ele vê a falta de educação financeira como uma das razões para que as pessoas sigam escolhendo a poupança. “Mais do que uma busca por segurança, vejo a falta de informação como outro fator importante. Há ações, por exemplo, que não têm risco alto”, argumenta.

Paulo César Valadão, que trabalha em uma empresa de tecnologia e automação, voltou para a poupança. “Eu separei um valor do qual achei que não iria precisar e comprei ações. Rendeu bem, mas pouco tempo depois percebi que seria necessário usá-lo, logo preferi não deixar em um investimento de tanto risco”, conta. Ele também já abandonou CDB e LCI: “Prefiro deixar na poupança para tirar quando precisar.” 

Na contramão

Para Fabio Macedo, diretor comercial da Easynvest, o movimento observado na corretora foi o contrário. “O que vimos foi mais gente investir com aportes menores. E mesmo os pequenos investidores têm apresentado maior apetite por risco”. 

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