Investimentos em 4G devem começar sem compartilhamento

Uso conjunto de bases, torres e antenas é um desejo do governo federal , que enxerga redução de custos e aumento de eficiência com a rede compartilhada

Mariana Durão e Rodrigo Petry, da Agência Estado,

01 de agosto de 2012 | 19h23

RIO/SÃO PAULO - Os investimentos para implantar a quarta geração (4G) da telefonia móvel no País devem começar sem o compartilhamento de infraestrutura pelas operadoras. O uso conjunto de bases, torres e antenas é um desejo do governo federal , que enxerga redução de custos e aumento de eficiência com a rede compartilhada. Um entendimento entre as grandes operadoras, entretanto, ainda está longe de ser alcançado, disse ontem o presidente da Oi, Francisco Valim. 

"Compartilhar depende de querer e fazer. É uma prática necessária no Brasil. Mas a discussão ainda está no querer", disse, durante a apresentação do balanço financeiro da companhia no segundo trimestre.

A Oi sinalizou que não pretende esperar um acordo para tocar os planos no 4G, já que deverá cobrir seis cidades até a Copa das Confederações, em 2013. Embora seja favorável a compartilhar redes no 4G, Valim diz que fazer o mesmo com a estrutura atual (3G) é complexo e mais caro do que instalar novas torres. O ministério das Comunicações estuda forçar as companhias do setor a abrir espaço às concorrentes em suas infraestruturas.

Valim evitou falar de expectativas sobre a liberação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) da venda de chips da empresa bloqueada em cinco estados a partir de 23 de julho. A operadora descarta um impacto relevante da medida em seu negócio no ano de 2012. O plano apresentado à agência na semana passada manteve a previsão de R$ 24 bilhões em investimentos de 2012 a 2015.

Resultados

No segundo trimestre a Oi registrou um lucro líquido de R$ 64,1 milhões, queda de 82,8% ante os R$ 373,6 milhões do mesmo período de 2011. A receita líquida somou R$ 6,9 bilhões, uma queda de 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho veio abaixo das expectativas do mercado e derrubou as ações da operadora. Os papéis fecharam o dia com perdas de 7,37% nas ações PN e 7,63% nas ON, as maiores baixas do Ibovespa.

A companhia atribuiu o resultado negativo a efeitos contábeis de sua reestruturação societária, aprovada em 27 de fevereiro. Para minimizar esse impacto, a Oi solicitará à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) uma autorização para retirar do balanço financeiro a amortização do ágio de R$ 9 bilhões pago na compra da Brasil Telecom (BrT) em 2009. Ele embute a depreciação de ativos fixos, como imóveis e torres. A proposta é que essa depreciação passe apenas pelo patrimônio líquido, deixando de afetar o resultado operacional, o lucro e o pagamento de dividendos aos investidores.

Caso não haja resposta da CVM até o balanço do próximo trimestre, a companhia pretende ao menos separar a reestruturação do resultado operacional para "não confundir o mercado". Segundo o diretor de Finanças da Oi, Alex Zornig, sem essa "aberração contábil" o lucro de abril a junho seria R$ 300 milhões maior. Analistas da Fator Corretora avaliaram que o resultado operacional foi razoável, com destaque para a retomada, ainda que modesta, da receita líquida, impulsionada pela aceleração da aquisição de clientes em banda larga fixa, TV por assinatura e telefonia móvel. Segundo o relatório da corretora, porém, a Oi terá "grandes desafios" pela frente, em razão das agressivas metas de desempenho dos próximos anos, "de difícil execução".

A base de clientes da Oi cresceu quase 10% este ano, chegando a 72,3 milhões de assinantes. O suposto descasamento entre o aumento do número de clientes e os investimentos para assegurar a prestação de serviços tem sido um dos principais questionamentos da Anatel às operadoras de telefonia.

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