Investimentos em infra-estrutura recuam 53,8% em 2003

Os investimentos em infra-estrutura e indústrias de base no Brasil caíram 53,8% no ano passado sobre 2002, para US$ 6,6 bilhões. Trata-se do menor valor desde o início da década, informou hoje o presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base, José Augusto Marques. Para se ter uma idéia, em 2001 os investimentos realizados pelo setor foram de US$ 20 bilhões. Para este ano, a projeção da entidade é melhor em relação a 2003. As decisões de investimento devem somar US$ 10,1 bilhões, puxados pelas áreas de energia, saneamento e logística.De acordo com Marques, os números estimados para 2004 não incluem projetos das Parcerias Público-Privadas, já que a discussão do projeto continua no Congresso e o fundo garantidor da PPP necessitará de um novo projeto para regulamentação. "É possível que em 2005 já tenhamos decisões de investimento baseadas nas PPP", afirmou o executivo da Abdib.Ele explicou que a queda no volume de investimentos do setor no ano passado foi motivada por dois pontos básicos: no primeiro semestre, por conta do início de uma nova gestão na economia. E nos últimos seis meses do ano, pela demora nas decisões sobre os marcos regulatórios. "Entramos em compasso de espera que perdurou ainda no primeiro trimestre deste ano", afirmou o executivo.Investimento privado caiu 61,7%Marques reiterou que o Brasil precisa de investimentos em infra-estrutura da ordem de US$ 20 bilhões ao ano nos próximos dez anos. Com a impossibilidade de o governo dispor desses recursos, cresce a importância do capital privado para obras de infra-estrutura. No entanto, levantamento realizado pela entidade mostra que o porcentual de recursos privados investidos em infra-estrutura e indústrias de base caiu 61,7% em 2003 sobre 2002, para US$ 3,6 bilhões.Brasil tem energia garantida só até 2006O Brasil terá tranqüilidade no fornecimento de energia elétrica até 2006, de acordo com o presidente da Abdib. "A partir de 2007, entraremos em uma área de desconforto", disse. Segundo ele, a expectativa é fundamentada nos projetos de energia em andamento, iniciados antes de 2000, e na capacidade instalada existente no setor elétrico, diante de uma expectativa de crescimento anual da economia de 3,5%.Conforme o executivo, essa previsão está condicionada a dois fatores: consumo de energia elétrica e índice pluviométrico, que determinará a quantidade de energia armazenada nas hidrelétricas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.