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Investimentos em mobilidade não chegam às periferias

Pesquisador diz que a desigualdade social se reflete na dificuldade de deslocamento e agrava o problema nas metrópoles 

Bruno Ribeiro e Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2013 | 18h58

O pesquisador Juciano Martins Rodrigues, do Observatório das Metrópoles, explica que os desafios de deslocamento na Região Sudeste têm grande ligação com a questão social nas periferias das grandes cidades.

"Ao mesmo tempo em que essas áreas têm o poder econômico e político, enfrentam também os maiores problemas metropolitanos", diz ele. Os estudos ainda mostram que moradores das periferias ficam mais tempo no trânsito.

Nas metrópoles, o enorme volume de recursos é distribuído de modo desigual, o que reflete na enorme desigualdade na distribuição de benefícios públicos, das ações governamentais, serviços e infraestrutura. "A desigualdade também se reflete nas dificuldades de deslocamento."

Um dado que explicita essa complexidade é a taxa de motorização da região metropolitana do Rio: são 22,6% de famílias contando com transporte privado, segundo tabela do Observatório das Metrópoles.

O índice é bem abaixo da média das regiões metropolitanas, de 30,9%. Assim, o Rio consegue ter o pior trânsito sem ter os maiores índices de motorização.

Atento aos investimentos que o Rio faz para receber Copa e Olimpíada, Rodrigues diz ter sérias dúvidas se as obras vão resolver os problemas de mobilidade. Segundo ele, o principal problema é que as estratégias territoriais adotadas são equivocadas.

"No contexto da Copa, a dimensão metropolitana, que tem 20 municípios e 12 milhões de habitantes, não foi atendida. E até dentro da cidade do Rio os investimentos estão localizados em uma região muito específica", diz ele, referindo-se ao sistema de BRT, sigla para Transporte Rápido por Ônibus. O modelo de corredor de ônibus já está em operação na Barra da Tijuca.

O caso do BRT no Rio é exemplar da distância que ainda existe para termos outra situação: ao longo das faixas exclusivas, foram construídas cinco pistas de carro. "Está se investindo em transporte público, mas não tem a inflexão no modelo", diz Rodrigues.

Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, do Ipea, explica que os mais pobres das periferias ainda tem um comportamento de mobilidade restrito. "É o índice de imobilidade, os mais pobres acabam ficando restritos nos seus deslocamentos."

De acordo com a Pnad, apenas 11% das pessoas extremamente pobres recebem vale-transporte. "A classe média que mora na periferia é que sofre com os maiores tempos de viagem", diz Carvalho.

Em um exercício de imaginação, o engenheiro Luiz Célio Bottura projeta os benefícios de uma cidade que aboliria os carros. "Uma cidade fictícia onde os carros sejam proibidos seria mais barata, precisaria de menos investimentos de obras viárias. Não precisaria nem de investimentos no metrô. Certamente até o preço dos imóveis seria mais baixo." 

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