Investimentos em produção no Brasil caem 14% no 1º tri

Queda, na comparação com o mesmo período de 2008, é a maior desde o início da série do PIB do IBGE

Adriana Chiarini e Jacqueline Farid, da Agência Estado,

09 de junho de 2009 | 09h35

Os investimentos em produção, ou Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) desabaram 14% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado, informou nesta terça-feira, 9, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda é a maior da série da pesquisa do PIB nessa base de comparação. Em relação aos últimos três meses de 2008, a queda foi de 12,6%. Esta foi também a primeira redução da FBCF, ou investimento, desde o quarto trimestre de 2003, quando a diminuição foi de 3,7%.

 

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As variações foram ainda piores que as do quarto trimestre de 2008. Nesse período, os investimentos caíram 9,8% em relação ao trimestre imediatamente anterior, mostrando o efeito do agravamento da crise econômica, mas ainda com aumento de 3,8% em relação ao quarto trimestre de 2007.

 

Segundo a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, a queda na FBCF no primeiro trimestre, ante mesmo período de 2008, reflete especialmente a redução na produção de máquinas e equipamentos, mas também o mau desempenho da construção civil no período.

 

A FBCF é calculada levando-se em consideração a produção e importação de máquinas e equipamentos (com maior peso no cálculo, cerca de 60%) e, ainda, o desempenho da construção civil (cerca de 40% de peso).

 

De acordo com Rebeca, outros fatores que interferiram na queda da Formação Bruta foram a desaceleração no crescimento do crédito de recursos livres para pessoa jurídica (em termos nominais, houve alta de 32,1% no primeiro trimestre de 2009, ante aumento de 42,9% no quarto trimestre de 2008) e, ainda, a taxa Selic que, embora em trajetória de queda, esteve mais alta, na média, no primeiro trimestre de 2009 (12,5% ao ano) do que no primeiro trimestre do ano passado (11,2% ao ano).

 

Taxa

 

A taxa de investimento (FBCF/PIB) no primeiro trimestre foi de 16,6%, a menor para primeiros trimestres desde o primeiro trimestre de 2005, quando foi de 15,9%. No ano de 2008, a taxa ficou em 19%. A formação bruta de capital fixo é constituída principalmente por máquinas e equipamentos e pela construção civil.

 

A gerente de contas nacionais trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, considera "normal" o investimento cair ou crescer muito mais que o PIB. "Quando o PIB estava crescendo 6,5%, a FBCF também estava crescendo muito mais. O investimento é muito mais volátil", afirmou.

 

A taxa de poupança (poupança/PIB) no primeiro trimestre foi de 11,1%, a menor para primeiros trimestre desde o início da série em 2000. A taxa, que é a poupança bruta em relação ao PIB, depende do consumo. "O consumo cresceu em proporção maior que o PIB e, assim, a taxa de poupança cai", disse Cláudia Dionísio, técnica de Contas Nacionais do IBGE.

 

Texto atualizado às 12h47

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