Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Investimentos em startups em 2020 foram de R$ 19,7 bilhões

Amadurecimento do ecossistema de inovação permitiu o florescimento de startups no Brasil desde 2011

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2021 | 05h00

O movimento de aquisições de startups por grandes empresas só tem sido possível pelo amadurecimento do chamado “ecossistema” de inovação. De 2011 para cá, o número de startups cresceu numa média de 100% ao ano e alcançou a marca de 13,5 mil empresas, segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups). Esse avanço ocorreu, sobretudo, por causa da enorme liquidez e redução das taxas de juros no mundo.

No ano passado, o setor recebeu R$ 19,7 bilhões em investimentos, segundo dados da Abstartups. Com a queda da Selic, os investidores tiveram de buscar novas formas para remunerar o capital, e os fundos de venture capital – que apostam em startups – se tornaram opção. “De janeiro a abril, já temos investimentos da ordem de 70% do que foi destinado ao setor no ano passado (cerca de US$ 2,3 bilhões)”, diz o presidente da associação, Felipe Matos.

Segundo ele, a pandemia trouxe uma nova realidade para a sociedade e criou oportunidades. A tecnologia ganhou grande presença com as necessidades das empresas para atender a população, o que impulsionou fusões e aquisições e aberturas de capital. “Temos hoje um ecossistema que floresceu com mais investimentos. Não é um sucesso do dia para a noite”, diz Daniel Chalfon, sócio da gestora de venture capital Astella Investimentos

Na avaliação dele, o benefício de uma grande empresa ao comprar um startup vai além de apenas incorporar uma solução. A aquisição é uma forma rápida de trazer talento e a cultura de startup para dentro das corporações, que têm menos agilidade para tomar algumas medidas. “É como um navio muito grande. Você não consegue mudar a direção rapidamente.”

O presidente do grupo de empresas de software Nuvini, Pierre Schurmann, conta que historicamente no Brasil era mais fácil construir uma solução dentro de casa do que buscar fora. Além disso, os pequenos negócios não representavam um risco potencial. “Mas o mundo mudou, se digitalizou e as pessoas passaram a fazer tudo pelo celular.”

Outro ponto, diz ele, é que o custo para se montar um negócio caiu muito, com o avanço dos aplicativos. Junta-se a isso a queda da taxa Selic que fez a tecnologia se transformar num bom negócio para investidores com muito dinheiro. Nesse cenário positivo, Schurmann comprou quatro startups e tem meta de chegar a 15 ou 18 negócios até o fim do ano. “Queremos comprar empresas mais maduras e que tenham capacidade de comprar outras menores.”

O sócio da Astella Investimentos vê ainda outra explicação para o recorde de aquisições nos últimos meses. Os fundos de venture capital têm prazo de dez anos, e a maioria das carteiras no Brasil precisa ser encerrada para dar liquidez aos investidores. “Por isso, é um momento muito interessante. De um lado tem o comprador querendo inovação e do outro, fundos ávidos por liquidez.”

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