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Investimentos federais recuam em outubro e novembro

Segundo o Instituto Teotônio Vilela, queda foi de 20% em relação aos mesmos meses do ano passado

IURI DANTAS, MURILO RODRIGUES ALVES, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2013 | 02h16

O desembolso de recursos do Orçamento da União para investimentos, prometido pela presidente Dilma Rousseff como o novo motor da economia, entrou o último trimestre do ano em queda livre, indicando que o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) pode ficar abaixo do esperado pelo mercado e pelo governo.

Dados apurados pelo Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB, no sistema de acompanhamento orçamentário do governo (Siafi) mostram uma retração de 20% nos investimentos federais em outubro e novembro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Em novembro, a queda foi de 50%.

Foram investidos R$ 7,2 bilhões em outubro e novembro, ante R$ 8,94 bilhões nos mesmos meses do ano passado. A ampla maioria de analistas do mercado aposta em queda de investimentos no terceiro trimestre do ano, o que ajudaria a derrubar o PIB no período. A eventual continuidade de baixa nos investimentos pode colocar em risco o desempenho na segunda metade do ano e derrubar previsões de crescimento para o ano.

"O que aconteceu com os investimentos federais em novembro não deixa margem a dúvidas: bateu o pânico no pessoal que cuida - ou deveria cuidar - das contas do governo", diz texto da Brasil Real, análise mensal de conjuntura produzida pelo ITV, que será publicada na semana que vem. "Depois de meses afirmando que os gastos estavam sob controle, se deram conta de que o buraco é bem mais embaixo. Tão logo o gigantesco rombo das contas de setembro foi conhecido, as torneiras dos investimentos foram fechadas. Ou o melhor talvez seja dizer que a fonte secou mesmo."

O Ministério do Planejamento preferiu não comentar os dados, mas apontou o que seriam inconsistências no levantamento: "O mês de novembro ainda não está fechado e, por isso, os desembolsos estão em curso", assinalou a Pasta, em nota. "Não é correto fazer comparação com dados parciais que ainda podem sofrer alterações." A equipe da ministra Miriam Belchior acrescentou, ainda, "que não é correto comparar investimentos de um mês com o correspondente do ano anterior porque tais gastos não são lineares, como são gastos correntes".

Credibilidade. O governo enfrenta críticas de investidores e economistas por conta da combinação de gastos públicos de custeio da máquina em alta e baixo investimento, o que continuou ocorrendo em outubro, segundo o Tesouro Nacional. Ao mesmo tempo, a política de corte seletivo de impostos para alguns setores da economia não impulsionou o PIB, o que também ajuda a deteriorar as contas públicas. Em outubro, o superávit primário do setor público foi o pior da história, segundo o Banco Central.

Para o professor do Departamento de Economia da PUC-SP Claudemir Galvani, o setor privado pode ser o responsável por uma surpresa positiva no resultado do investimento no quarto trimestre ou em 2014, compensando o recuo do governo. Ele baseia sua previsão nas últimas privatizações e, principalmente, na continuidade de um fluxo robusto de investimento estrangeiro privado (IED) neste ano. Considerado de melhor qualidade, o investimento produtivo é menos volátil que o financeiro.

"Ainda bem que os estrangeiros ainda acreditam que o País vai manter na rota de crescimento da economia", diz. Entre os fatores para o recuo nos investimentos do governo federal, Galvani aponta as ações dos órgãos fiscalizadores, como o Tribunal de Contas da União (TCU), que paralisam as obras "por qualquer indício de irregularidade".

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