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As dificuldades de investir em tempos de inflação alta

O momento exige mais cautela e buscar preservar a carteira, e não só pensar nos retornos

Fabio Gallo, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2022 | 04h00

A inflação está mais persistente do que o esperado, e nesta semana o Banco Central agiu dentro das expectativas, elevando a taxa de juros para 13,25% ao ano. Voltamos ao patamar de 2016. Assim, o investidor tem de pegar o caminho natural: proteger-se contra a inflação. Mesmo nesse ambiente mais difícil ainda há oportunidades de realizar ganhos sem se arriscar em excesso. 

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A receita é conhecida, o investidor deve ir para a renda fixa. Mas, mesmo assim, buscar diversificar entre as opções dentro dessa classe de ativos. Para poder escolher os títulos mais apropriados, a primeira coisa a ser feita é firmar os seus objetivos.

É importante conciliar os prazos de vencimento dos títulos com a intenção de uso do dinheiro. Isto para evitar carregar o risco de mercado que é a potencial redução de ganhos pela variação das taxas de juros. Casando o vencimento do papel com a necessidade de uso do dinheiro, o investidor tem garantido que irá obter a rentabilidade prometida na data da compra.

As principais opções: Títulos do Tesouro, CDBs, Letra Imobiliária Garantida (LCI) e Fundos DI. O investidor deve atentar que, para cada tipo de renda fixa, há várias opções de prazo, além de títulos prefixados e pós-fixados. 

No cenário atual os pós-fixados indexados à inflação são mais indicados. A Poupança deve render abaixo da inflação, assim não é uma boa alternativa. 

No caso do Tesouro Direto, uma boa opção são os papéis Tesouro Direto + e Tesouro Direto + com juros semestrais que rendem taxa fixa mais a variação do IPCA e são oferecidos para vários vencimentos, com aplicações a partir de R$ 30,00.

Há ofertas de CDBs atrelados ao IPCA para quem esteja pensando no curto prazo, mas com aportes partindo de R$ 5 mil. As LCIs acompanham a subida dos juros e têm a vantagem de isenção de Imposto de Renda, mas são mais atrativas para prazos mais longos. Lembrando que os títulos emitidos por bancos (CDB, Poupança, LCI, Letras de Câmbio) são garantidos até R$ 250 mil.

Os fundos DI têm títulos públicos indexados ao CDI, alternativa para curto prazo, mas o investidor deve estar atento às taxas de administração. Outra opção disponível são os Certificados de Operações Estruturadas (COE) atrelados ao IPCA, produto mais sofisticado e com aplicação inicial mais alta.

Outro tipo de investimento que pode ser alternativa são os Fundos de Investimento Imobiliários (FII), mas aqueles compostos de papéis, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), indexados à inflação. Os FIIs-tijolo, com investimentos em imóveis, perderam força e não são indicados. O momento exige mais cautela e buscar preservar a sua carteira, e não só pensar nos retornos. A ordem é buscar equilibrar risco e retorno de maneira mais prudente.

PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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