Investimentos mantêm dólar estável

O câmbio não se deve deslocar muito das atuais cotações, entre R$ 1,80 e R$ 1,85 por dólar, no médio prazo, salvo devido a choques econômico inesperados. Com a forte entrada de investimentos diretos e a previsão de novas captações internacionais, o real deve manter-se nos atuais níveis pelos próximos meses, segundo a visão mais freqüente entre os analistas do mercado cambial. A maioria aposta na continuidade do sucesso da política de câmbio flutuante adotada a partir do início de 1999.O câmbio reflete o risco Brasil, como acontece também com as bolsas e os C-Bonds (títulos da dívida externa reestruturada), disse José Alfredo da Justa, diretor de gestão do Banco Liberal Asset Management. Ele observa que o sucesso na condução da política econômica e o crescimento sustentado são a garantia de que o Brasil continuará atraindo dólares, especialmente para investimento direto.Mas há fatores de risco neste cenário. Márcio Garcia, diretor do Departamento de Economia da PUC-Rio, cita os principais, como uma crise maior na Argentina, que leve à desvalorização do peso ou uma queda dramática das bolsas americanas. Outro fator de risco seria a manutenção no médio e longo prazo do preço do barril do petróleo acima de US$ 35. Segundo José Gonzalez, diretor do fundo Maturitiy, o maior risco é a Argentina acabar contaminando o bom momento do Brasil. Lauro Faria, economista da Fundação Getúlio Vargas do Rio, discorda e acredita que o câmbio se aproxime do nível de R$ 2 em um horizonte de seis meses a um ano. Ele cita três fatores de risco: a balança comercial, que vem apresentando fraco desempenho, o choque do forte aumento dos preços do petróleo; e o fato de que o impacto da desvalorização de 1999 já foi substancialmente reduzido por causa da flutuação de outras moedas, principalmente o euro, que perdeu 25% do seu valor em pouco mais de um ano e meio.FluxoAs perspectivas continuam favoráveis quanto ao fluxo investimentos diretos para o Brasil até o fim do ano, fato que deve compensar o resultado da balança comercial. Além disso, os recursos garantem maior competitividade à indústria brasileira, já que 4,8% desses investimentos estão voltados à compra ou modernização de empresas nacionais.Para Octávio de Barros, do Banco Bilbao Viscaya Brasil, a perspectiva é de que o volume dos investimentos possam bater a marca US$ 2 bilhões em agosto - dados finais só serão divulgados no dia 22. Já o Citibank, segundo Carlos Kawal, economista-chefe da instituição, projeta US$ 1,7 bilhão para agosto. Até julho, o investimento direto no País somou US$ 17,942 bilhões. A estimativa é de que esse fluxo feche o ano entre US$ 28 bilhões e US$ 30 bilhões. O JP Morgan espera cerca de US$ 25 bilhões, mas com tendência de alta, ressalta o economista-chefe, Marcelo Carvalho.Nas férias de julho, quando os números normalmente pioram, o Brasil recebeu US$ 5,1 bilhões de investimentos diretos. Desse total, US$ 2,6 bilhões da operação de compra de ações da Telesp pela Telefônica. Outros US$ 554 milhões também referem-se a privatizações. O País recebeu US$ 4,1 bilhões em investimentos diretos em julho de 1999.Analistas dizem que dólar não cai por causa do governoSegundo especialistas, o dólar só não cai mais devido à atitude do governo de aproveitar a queda das cotações para reduzir a parcela da dívida interna indexada em dólar. Dessa forma, desde o início dessa estratégia, em agosto, foram retirados do mercado entre 75% e 80% do total de títulos que estavam vencendo e, por tabela, o governo elevou as cotações e tentou estimular exportações e tirar incentivo às importações.Por enquanto, o setor de serviços continua na liderança da atratividade por investimentos diretos. Pelo lado da indústria, nos sete primeiros meses deste ano, o setor químico e farmacêutico foi destaque, recebendo US$ 749 milhões ou 4,8% do total. Em serviços, que concentram 74,6% das aplicações de recursos, o setor de comunicações está disparado em primeiro lugar, com 31,8% do total.

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