Investimentos mudam perfil das cidades da região

Com aumento da arrecadação, municípios investem em 'agrados' à população, como os ônibus gratuitos

RIO, RESENDE, PORTO REAL (RJ), O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2011 | 03h06

Os investimentos pesados da indústria no sul do Estado do Rio estão mudando o perfil da economia de diversos municípios e transformando paisagens. Um levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) projeta que o sul fluminense receberá aportes que totalizam R$ 11,5 bilhões entre 2011 e 2013. As cifras, porém, devem crescer, já que há projetos ainda não anunciados oficialmente, como da Nissan e da PSA.

Com pouco mais de 15 mil habitantes, o pacato município de Porto Real tinha sua economia sustentada pelo comércio e por atividades rurais, quando recebeu a fábrica da PSA Peugeot Citroën. A instalação da empresa serviu de chamariz para a vinda de outras indústrias e legou ao município a posição de segundo maior PIB (Produto Interno Bruto) per capita do País.

Os municípios da região vão deixando para trás uma época em que boas oportunidades profissionais eram escassas. Tipos populares desaparecem. As "cadetinas", como os moradores chamam as mulheres que viam nos cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, uma garantia de futuro próspero, começam a fazer parte do passado.

Quando soube do desembarque da empresa em Porto Real, Leonardo Muniz da Silva, viu no canteiro de obras a chance de chegar ao chão de fábrica. "Saí do canteiro de obras da empresa", diz Silva, que hoje é responsável por uma equipe de 35 pessoas na linha de produção. Com curso superior em Recursos Humanos, que frequentou graças ao salário que recebe na empresa, ele conta, orgulhoso, que dirige hoje um Xsara Picasso fabricado lá mesmo.

A chegada das indústrias levou a um salto na arrecadação de Porto Real, que no ano passado chegou a R$ 150 milhões. Com dinheiro em caixa, o prefeitura tem aplicado os recursos em saúde, na construção de uma faculdade e em um pacote de 'agrados' aos moradores.

Desde a semana passada, o transporte urbano é gratuito. "Coloquei oito ônibus zero quilômetro na cidade, e a passagem é 0800", afirma o prefeito Jorge Serfiotis. Também já tiveram início as obras do primeiro teatro da cidade e em dois meses começa a ser construído um estádio de futebol com capacidade para 10 mil pessoas, o equivalente a mais da metade da população.

Em Resende, a prefeitura terminou a reforma do aeroporto local e aguarda a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) dar o aval para que a Trip comece a voar a partir de lá.

Na avaliação do professor Fernando Sarti, da Unicamp, o setor automotivo conta com um empurrão da indústria de apoio à produção de petróleo para continuar se expandindo. "Os investimentos do setor parapetroleiro - de máquinas e equipamentos - também passam a ser importante para o setor. O mesmo produtor que faz uma autopeça também pode produzir uma navipeça", diz. / G.G.

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