Rafael Neddermeyeri/Fotos públicas
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Investimentos na economia caíram em março, diz Ipea

O volume de exportações de bens de capital cresceu 4,1% sobre fevereiro, enquanto as importações tiveram alta de 9,1%

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2017 | 23h24

RIO - Os investimentos totais na economia encolheram em março, nas estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) de março, divulgado ontem, recuou 2,1% em relação a fevereiro. Na comparação com março de 2016, o indicador caiu 0,7%. Em fevereiro, o indicador havia subido 4,3% ante janeiro.

No primeiro trimestre fechado, o Indicador Ipea de FBCF caiu 2,1% em relação aos três primeiros meses de 2016 e ficou estável na comparação com o quarto trimestre. No acumulado em 12 meses terminados em março, a queda foi de 6,3%.

Segundo o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo de Souza Jr., a volatilidade nos investimentos, com alta num mês e queda no outro, já era esperada. As médias móveis trimestrais mostram desaceleração do ritmo de queda, disse o pesquisador. “Agora, temos uma aparência de mudança de tendência, sinalizando para uma estabilização e para o início de uma retomada”, disse Souza Jr.

A volatilidade nos investimentos é normal mesmo nos ciclos de alta, lembrou o diretor, mas a intensa queda ao longo da recessão, de 2014 a 2016, tende a amplificar os movimentos. 

O desempenho negativo em março foi verificado nos dois principais componentes da FBCF. O indicador de construção civil recuou 2,5% em março em relação ao mês anterior, após quatro variações positivas. Ao mesmo tempo, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (a soma da produção industrial doméstica de máquinas e equipamentos, mais as importações, excluídas as exportações) caiu 2,4%.

Segundo o Ipea, a produção doméstica de bens de capital recuou 3,3% em março, mas o comércio exterior suavizou a queda. O volume de exportações de bens de capital cresceu 4,1% sobre fevereiro, enquanto as importações tiveram alta de 9,1%.

O cenário traçado por Souza Jr. ainda é desfavorável aos investimentos neste ano. O quadro melhorará em 2018, quando os investimentos deverão crescer num ritmo mais acelerado do que a média do PIB. Ainda assim, o risco político ameaça essas perspectivas, segundo o diretor do Ipea. A postergação na aprovação das reformas e as eleições de 2018 poderão ser foco de incerteza. 

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