Investimentos na pecuária argentina caíram 30% em 2007

A Sociedade Rural Argentina (SRA) anunciou hoje que os investimentos no setor agropecuário na Argentina registraram uma queda de 30% em 2007 em comparação com 2006. Os representantes da Sociedade, uma centenária organização de grande influência política, ressaltaram que a queda do investimento no setor continuará despencando em 2008.Por trás da queda nos investimentos, afirmam os pecuaristas, estão uma série de duras medidas que o governo do ex-presidente Néstor Kirchner aplicou para o setor. A política do ex-presidente continua sob a administração de sua sucessora e esposa, a presidente Cristina Kirchner.Entre as medidas que tiram o sono do setor estão a aplicação de restrições para a exportação de carne bovina, de forma a atender a demanda crescente do mercado interno. Os analistas indicam que a Argentina é atualmente o quarto maior exportador mundial de carne. Mas, se não tivesse o teto de 40 mil toneladas mensais estipulado pelo governo, o setor poderia aumentar suas vendas ao exterior e chegar ao posto de segundo maior exportador mundial de carne.Além disso, o governo ordenou há poucos dias um teto de 8% para o aumento do preço do quilo da carne. O teto é considerado insuficiente pelos produtores, já que durante o último ano o preço esteve congelado, enquanto que a inflação real ficou entre 18% e 25%, segundo economistas independentes (de acordo com o governo, a inflação foi de 8,5% em 2007).Os produtores argentinos afirmam que o governo não proporciona estabilidade e regras perduráveis para o setor. Eles afirmam que invejam seus colegas no Uruguai e Brasil, pois consideram que seus vizinhos contam com respaldo dos respectivos governos federais. SojaRepresentantes das Confederações Rurais Argentinas (CRA) afirmam que cada vez mais os produtores deixam de lado a atividade pecuarista e passam ao plantio da soja. Os analistas sustentam que atualmente a soja é três vezes mais lucrativa do que o gado na Argentina.Segundo um relatório da Sociedade Rural, desde 2005, a perda de interesse na produção de carne bovina provocou a transferência de 3 milhões de hectares que serviam de pastagens para a produção agrícola (soja, milho e trigo, principalmente).

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