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''Investimentos no Brasil vão superar US$ 10 bilhões''

Robert Wilson: presidente do Conselho do BG Group; O BG é um dos principais parceiros da Petrobrás na exploração de petróleo na camada pré-sal, com 25% do Campo de Tupi

Entrevista com

Daniela Milanese, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

Não há limites para os investimentos do BG Group no Brasil, afirma o presidente do Conselho de Administração da empresa britânica, Robert Wilson. "Nós próximos anos, vamos investir muitos bilhões de dólares no Brasil." Segundo ele, o valor pode superar rapidamente os US$ 10 bilhões. Desde que chegou ao País, em 1997, a companhia já fez aportes superiores a US$ 2 bilhões. Depois de entrar no gasoduto Brasil-Bolívia, o grupo BG comprou a Comgás, em 1999, e licenças para a exploração de petróleo, em 2000. Hoje, é um dos principais parceiros da Petrobrás na cobiçada área do pré-sal, com 25% do Campo de Tupi, além de participações em Guará e Iara. As reservas se tornaram um pilar importante para a estratégia de crescimento do BG no mundo. O grupo considera o pré-sal brasileiro como uma das descobertas mais importantes feitas neste século. Agora, a empresa aguarda as novas regras para o setor que estão sendo definidas pelo governo. Wilson espera que o marco regulatório mantenha a atratividade para novos investimentos, mas mostra dúvidas sobre a necessidade de uma nova estatal para administrar as reservas de petróleo.Após receber o título de "Personalidade do Ano" da Câmara de Comércio Brasileira em Londres, na noite de quarta-feira, ele concedeu a entrevista exclusiva à Agência Estado.O governo brasileiro está criando um novo marco regulatório para o setor de petróleo. Qual é a sua expectativa?Não vou tentar adivinhar como será a nova política. Eu entendo que ela só será aplicada para as novas licenças e não para as já existentes. Acho que isso é muito importante. Eu ficaria muito desapontado se os termos das novas licenças forem tão desfavoráveis de forma que fiquemos incapazes de continuar a nos candidatar. Mas não estou pessimista.Em que caso as novas regras podem não ser favoráveis?Estou otimista de que os termos vão permanecer atrativos o suficiente.Fala-se na criação de uma nova estatal para administrar as reservas do pré-sal. O sr. acredita que esse seria um bom modelo?Obviamente é uma decisão política. Se é necessário? Eu não sei. Acho que a Petrobrás é uma empresa muito boa. Ficaríamos muito satisfeitos de continuar trabalhando com a Petrobrás. Vamos ver como as novas regras virão.Uma nova estatal não seria necessária então?Eu não sei. Há fortes rumores de que haverá uma estatal 100% do governo.Existe alguma possibilidade de o BG Group decidir não investir mais no Brasil após o novo modelo para o setor de petróleo?Não espero isso. E, certamente, tenho esperança de que não. Consideramos o Brasil uma parte muito importante da nossa estratégia e ficaríamos muito desapontados se os novos termos das próximas licenças forem tão desfavoráveis a ponto de não podermos justificar os investimentos. Quanto o BG Group está disposto a investir no Brasil?Nós próximos anos, vamos investir muitos bilhões de dólares no Brasil. Eu não sei quanto, mas é provável que o valor suba bem acima de US$ 10 bilhões rapidamente. Se vejo algum limite para o montante de recursos a serem aplicados? Não, ainda não. Já investimos mais de US$ 2 bilhões na Comgás e na exploração de petróleo nos últimos anos. Qual é o preço do petróleo que viabiliza os investimentos no pré-sal?É difícil neste momento julgar quais serão os custos de capital e de operação em águas profundas. Mas acho que estamos razoavelmente confortáveis com o nível de preço atual.Ao redor de US$ 60,00?Sim.E abaixo desse valor?Depende dos custos, mas se tudo der certo pode ser economicamente viável a operação com preço abaixo de US$ 50.

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