Paulo Giangalia/Estadão
Paulo Giangalia/Estadão

'Investimos para poder crescer'

Presidente do Santander no Brasil diz que, em 2015, é possível retomar liderança perdida para o Reino Unido

Entrevista com

Jesús Zabalza

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2015 | 02h05

Como liderar a geração de lucro global do Santander em um ano de PIB zero e inflação alta?

Há aspectos importantes que explicam a perda da liderança. No Brasil, temos acionistas minoritários e estamos considerando o resultado atribuído ao Santander. Estamos comparando 75% de resultado da unidade brasileira contra 100% do Reino Unido. Ou seja, o lucro do Santander Brasil é bem maior que o do Reino Unido. Estamos comparando duas geografias, uma crescente e outra decrescente. O resultado transformado em euro diminui, pois o real se desvalorizou. Apesar disso, no 4º trimestre, entregamos o melhor resultado dos últimos dois anos.

Mas não é um desafio grande para um ano como 2015?

O desafio não é de 2015. Nos últimos 18 meses, investimos em pessoas, cultura, interação, tecnologia. Revisamos todo o modelo comercial e investimos R$ 5 bilhões em 2014 - R$ 3 bilhões em projetos fundamentais e aquisições. Inauguramos o novo data center, compramos a GetNet (adquirência), fizemos uma joint venture com o Bonsucesso em crédito consignado (com desconto em folha), que começa a operar na semana que vem, e compramos a Conta Super (meios de pagamentos). Os outros R$ 2 bilhões foram investidos em canais, na estrutura comercial, treinamento e formação de pessoas. Investimos para poder crescer.

E as implicações com a Operação Lava Jato?

O setor de óleo e gás é importante para a economia do País, para o desenvolvimento da infraestrutura, dos portos e demais setores fundamentais. Estamos colaborando ativamente com as autoridades para que essa crise se resolva da melhor maneira possível.

Algum caso específico preocupa o Santander, como o da OAS?

A posição do Santander em relação às empresas envolvidas (na Lava Jato) é relativamente baixa e não nos preocupa. Não podemos comentar casos específicos, mas estamos muito tranquilos com a nossa exposição.

Após algumas aquisições em 2014, este ano é hora de consolidar as operações?

Investimos para crescer. Para este ano, estimamos investir de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão em 'business solution', sem contar recursos para aquisições. Estamos trabalhando para ser um banco simples, pessoal e justo.

Há espaço para aquisições?

Vamos comprar conforme as nossas necessidades. Em agronegócios, por exemplo, se tivermos oportunidade, temos interesse em incorporar um novo negócio. Uma aquisição, porém, precisa fazer sentido do ponto de vista estratégico, tem de ser algo que impulsione nosso crescimento de tal maneira que organicamente demoraríamos muito para conseguir.

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