Investir após a queda da Selic: como fica a rentabilidade das aplicações

Com a redução da taxa de juros básica da economia, poupança volta a ser competitiva e renda variável ganha destaque

Ana Luiza de Carvalho, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 17h12

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou no último dia 31 a redução da Selic para 6% ao ano, chegando ao patamar mais baixo desde 1996. A Selic é a taxa básica de juros da economia e indexa a rentabilidade de vários investimentos, além de ser parâmetro para outros índices como o Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

Com a nova taxa de juros, o mercado de investimentos deve sofrer reviravoltas como a volta da competitividade da poupança. Confira abaixo alguns possíveis cenários para investidores:

 

É o fim da renda fixa? Como fica a poupança com a nova taxa Selic?

A renda fixa continua sendo uma opção para investidores com perfil de risco conservador, mas deve apresentar rentabilidade reduzida. É preciso estar atento às taxas de administração: a maioria dos produtos sequer deve repor as perdas da inflação. Um fundo DI com taxa de administração a 2%, por exemplo, deve amargar rentabilidade líquida de 3,15%, enquanto a inflação prevista para julho de 2019 está em 3,6%.

Nesse cenário de achatamento da renda fixa, a poupança volta a ser competitiva, principalmente no cenário de curto prazo: a caderneta deve apresentar rentabilidade líquida de 4,2% ao ano. Isso significa que uma aplicação de R$ 1 mil deve chegar a R$ 1.042 ao final do período. 

Já uma Letra de Crédito Imobiliária (LCI) a 97% do CDI, uma das melhores opções no mercado de renda fixa, renderá 57 reais ao final do período —apenas 15 reais a mais do que a caderneta de poupança. O cenário é completamente diferente do visto há cerca de dois anos, quando a meta da Selic estava em 14,25% ao ano e produtos como Certificado de Depósito Bancário (CDB) e ganhavam destaque entre pequenos investidores.

 

É melhor investir em títulos pré-fixados?

Uma forma de evitar as oscilações da taxa de juros são os títulos pré-fixados, em que a rentabilidade não fica atrelada à inflação e à taxa de juros. Um exemplo é o Tesouro Prefixado 2025, com rentabilidade de 6,89% ao ano.

Ainda assim, é preciso considerar o risco de mercado de títulos a médio e longo prazo. Em maio de 2017, quando as denúncias do empresário Joesley Batista contra o então presidente Michel Temer vieram à tona, os preços de alguns títulos públicos caíram quase 20%, com grande prejuízo para investidores que decidiram vender os papéis no momento.

A instabilidade política do chamado Joesley Day também foi sentida na Ibovespa, mas em menor intensidade -a queda nas ações foi de menos de 10%. Na ocasião, o mercado de ações chegou a ser fechado por meia hora por segurança, ferramenta chamada de circuit breaker.

 

Vale a pena investir em renda variável? Como fica a Bolsa de Valores?

Para José Raymundo de Faria Júnior, especialista em finanças pessoais da associação Planejar, incluir risco no portfólio de investimentos é quase que uma necessidade a partir de agora. Ele ressalta, porém, que é preciso realizar essa migração com cuidado. "O Brasil não tem massa de investidores para uma guinada para a renda variável. É preciso educar o investidor e fazer isso devagar", diz.

O gerente de produtos de investimento do Itaú Unibanco, Martin Iglesias, defende que um caminho para quem busca maior rentabilidade é assumir mais risco. De acordo com ele, desde outubro de 2018 o mercado de ações é o investimento mais recomendado pela instituição. "Não existem mais produtos matadores dentro da renda fixa que resolvam, por si sós, todos os problemas do investidor", afirma.

 

No dia seguinte ao anúncio de queda da Selic, a bolsa subiu. O que aconteceu?

 

Todas as vezes que a taxa de juros cai, o mercado espera uma migração de parte dos investidores da renda fixa para a renda variável, como é o mercado de ações. Antes do anúncio da Selic a 6%, 70% dos investidores já contavam com essa queda, nessa proporção. Por isso, parte das ações já estavam com o preço ajustado ao novo patamar da Bolsa. Os demais 30%, esperavam por uma queda menor, de 0,25 ponto porcentuais, com a Selic a 6,25%. No dia seguinte, com a definição de 6%, a alta da bolsa correspondeu, portanto, ao ajuste desses 30% que apostaram erroneamente em uma decisão mais conservadora do Banco Central.

  No período após a redução, a Ibovespa registrou alta e chegou a 102 mil pontos. A expectativa do mercado é de que, até o final do ano, a bolsa bata recorde e chegue a 120 ou até 125 mil pontos. No mercado financeiro, cerca de 30% dos analistas esperavam uma redução menor na taxa de juros: a expectativa era de 0,25%, o que levaria o índice a 6,25%. Com o corte maior do que o previsto, a tendência é que as ações se valorizem ainda mais.  

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.