Investir direto no exterior está menos tortuoso
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Investir direto no exterior está menos tortuoso

Digitalização democratiza acesso a mercados mundiais

Media Lab Estadão, O Estado de S.Paulo
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14 de março de 2021 | 06h00

Arealidade atual, para quem tem apetite de enfrentar a montanha-russa do câmbio, torna possível ao investidor mais arrojado colocar seus recursos diretamente no exterior, principalmente em papéis comercializados na bolsa americana. A globalização dos fluxos financeiros e a extrema digitalização do setor são as responsáveis por democratizar a internacionalização das aplicações nos últimos anos. 

Não faz muito tempo que comprar qualquer ação na Nasdaq fazia parte de um mundo restrito, voltado para investidores institucionais ou clientes de altíssima renda. Mas agora, mais gente vai em busca de uma das regras de ouro das finanças pessoais, ou seja, seguir a famosa dica de “não colocar todos os ovos na mesma cesta”. O que inclui, muitas vezes, ampliar as fronteiras do dinheiro.

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da corretora Avenue, uma das perguntas que devem ser feitas hoje é por que não colocar parte dos recursos em aplicações no exterior. “O universo para o investimento no Brasil é bastante limitado. Representa cerca de 1,3% do mercado global. Os EUA têm cerca de 45% disso”, compara. Essa diversificação, segundo Alves, permite que o investidor possa participar de momentos econômicos como o boom de carros elétricos na China, de oscilações positivas de bancos europeus ou do crescimento da Índia, por exemplo.

Cesar Crivelli, analista e sócio da Nord Research, também destaca a abrangência do mercado externo como vantagem para o investidor. “Nos EUA, existem milhares de empresas listadas em bolsas, enquanto a B3 encerrou o ano passado com 404. E boa parte delas nem sequer tem liquidez. Além disso, as empresas listadas lá estão em diversos setores, de todos os tamanhos.” Ele exemplifica que pode ser feita uma opção tanto por gigantes como Apple, Microsoft e Google como por pequenas empresas focadas em inovação. “Por meio de American Depositary Receipts (ADRs), o investidor brasileiro pode ser sócio do Manchester United, do banco Barclays ou do AliBaba”, complementa Alves, da Avenue.

Além das ações das companhias, quem acessa o mercado externo tem à sua disposição uma quantidade enorme de fundos de investimentos lastreados em índices ou setoriais, os chamados Exchange Traded Funds (ETFs). “Alguns são temáticos como os da área de biotecnologia, há os lastreados em maiores pagadores de dividendos e os focados em bônus de empresas, entre outros”, lista Crivelli. Ele alerta que é sempre interessante procurar um profissional do mercado ou informações sobre ETFs mais “exóticos”, que possuem volume menor de negociação.

Outra alternativa de investimento nos EUA são os Real Estate Investment Trust (REITs), os fundos de investimento imobiliário do mercado norte-americano. Alguns desses fundos existem desde o início dos anos 1970 e pagam dividendos de maneira consistente desde então.

Algumas das grandes empresas também são negociadas no Brasil, mas de forma indireta, por meio dos Brazilian Depositary Receipts (BDRs), certificados lastreados em papéis negociados nos Estados Unidos. Até o ano passado, esses recibos só eram autorizados para investidores qualificados, com no mínimo R$ 1 milhão aplicados, mas essa limitação caiu. Também para dar mais acesso aos pequenos investidores, a B3 reduziu desde de 10 unidades para 1 unidade a quantidade mínima de negociação. Isso fez com que o número de investidores pessoa física na modalidade chegasse a 167,8 mil em janeiro.

Moeda forte e tributação

Mesmo que o mercado de BDRs tenha melhorado sua liquidez, os especialistas alertam que isso não resolve outra questão, que é a necessidade da proteção de parte da carteira em moeda forte. “Investir no exterior é uma proteção cambial. Você fica sócio de uma empresa que tem sua receita em dólar. Isso faz diferença em momentos como este de pandemia, quando ativos em dólar têm maior procura. Quem não tem ativos em moeda forte perde em poder de compra”, afirma Alberto Amparo, analista especialista na Suno Research.

Uma diferença crucial na comparação entre BDRs e ações estrangeiras é que o mercado norte-americano é fracionado. Isso significa que é possível comprar US$ 1 em ações de uma empresa como a Apple. Os recibos da mesma empresa negociados na B3, por sua vez, estavam sendo negociados por volta de R$ 70 no início de março.

Outra distinção entre comprar ativos nos EUA e no Brasil citada pelos entrevistados é a tributação. A isenção de IR sobre ganhos de capital (o lucro obtido entre a compra e a venda do ativo) no Brasil é de R$ 20 mil mensais. No exterior é o equivalente a R$ 35 mil por mês. No caso de pagamento de dividendos, por outro lado, há isenção no Brasil, mas o Fisco americano retém 30% diretamente na fonte. Pela reciprocidade tributária entre os países, não há risco de o investidor pagar imposto duas vezes.

O temor pela burocracia envolvida e a barreira da língua caíram com a digitalização dos negócios. A corretora Avenue, que começou a negociar no exterior em 2018, iniciou este ano com 220 mil investidores pessoa física. A simplificação da operação é um dos atrativos. É possível abrir uma conta, enviar recursos via TED e negociar no mesmo dia. Para algumas operações, a taxa de corretagem é zerada. Empresas que atuam no mercado americano voltado para o Brasil costumam atender em português e elaborar guias para auxiliar os investidores a preencher a declaração de imposto de renda.

 

LONGO PRAZO: Quais riscos evitar ou assumir

Investir em renda variável lá fora é uma decisão que traz riscos como qualquer outra aplicação financeira. Especialistas alertam para cuidados que devem ser observados por quem tem interesse em alocar internacionalmente parte de seus recursos. A primeira medida de cautela citada por Alberto Amparo, analista da Suno, é verificar se a corretora está devidamente cadastrada nos órgãos fiscalizadores norte-americanos.

Dois dos registros básicos são os da Securities and Exchange Commission (SEC), equivalente à CVM brasileira, e o Financial Industry Regulatory Authority (Finra). Ambos podem ser pesquisados na internet. Outra inscrição importante para a instituição é na Securities Investor Protection Corporation (SIPC), uma espécie de fundo garantidor de crédito em caso de problemas de insolvência. Nos EUA, essa entidade garante até US$ 500 mil em ativos para os investidores. “Eles protegem o saldo em dinheiro em até US$ 250 mil”, detalha Amparo.

Também é importante para o investidor ter consciência de que ele vai pagar taxas das remessas de dinheiro para o exterior, que devem estar registradas no Banco Central. Sobre essas movimentações também incide Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 0,38% por operação. E em caso de morte do titular, o Fisco americano aplica uma taxa de heranças sobre o saldo que pode chegar a 40% do total.

O critério na escolha dos ativos é outro ponto de atenção para o investidor novato, alerta o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves. “Muita gente parte em busca de ações exponenciais como a da Tesla ou acredita que pode ganhar muito dinheiro em pouco tempo acertando o ponto do dólar na entrada e na saída”, avalia. “O ideal é pensar numa poupança de longo prazo. O melhor amigo do investidor é o tempo”, sugere Alves.

Amparo concorda e diz que o investidor não pode se distrair pelas cotações. “Você precisa saber que está se tornando sócio de uma empresa e está pagando por isso. É necessário olhar para os fundamentos e não comprar um ativo só porque está na moda”, avalia. (RL)

 

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