Imagem Fábio Gallo
Colunista
Fábio Gallo
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Investir em um IPO embute um alto risco

Saber o preço justo para uma ação numa abertura de capital é muito difícil

Fabio Gallo, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2019 | 05h00

Qual título de Tesouro você recomenda, pensando em rentabilidade e sem se importar com o prazo de saque?

O título que traz a maior rentabilidade líquida é o Tesouro IPCA+ 2045 sem resgate semestral, que está sendo negociado com a taxa fixa de 3,35% ao ano mais variação do IPCA; a rentabilidade é de 6,20% ao ano. Esse é o resultado da simulação dos títulos que estão sendo ofertados atualmente pelo Tesouro. O Tesouro IPCA+2045 (principal) está apresentando essa rentabilidade líquida, enquanto os outros estão na faixa de 5% a 6% ao ano. Essas contas consideram somente os custos de custódia, sem taxa de administração, IPCA previsto de 3,59% e o Imposto de Renda de 15%. Mas considere que é um título de longo prazo com resgate previsto para 15 de maio de 2045. Esse tipo de investimento deve ser compatibilizado com seus objetivos financeiros porque tem alto risco de mercado em caso de necessidade de resgate antecipado. Explicando melhor: essa rentabilidade líquida será obtida somente se o investidor resgatá-lo em maio de 2045. Em outros termos a rentabilidade até o vencimento realizada pelo investidor será a prometida na compra do papel. Caso o título seja vendido antes do vencimento, ele estará sujeito ao risco de mercado, porque o preço de venda será o daquele dia e dependerá das condições de mercado. O cálculo do valor de mercado está relacionado ao movimento da taxa de juros: em caso de subida de juros, o valor cai; assim, se eu comprei a 3,59% e no momento da venda antecipada os juros estiverem acima disso, o valor de venda será menor do que paguei na compra, podendo ‘comer’ a rentabilidade obtida até aquela data.

Na semana passada tivemos o IPO da Vivara e está sendo anunciada a oferta de ações da C&A e do BMG. Vale a pena investir? Quais as vantagens de entrar em um IPO e quais os riscos?

Ao investir em uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) estamos assumindo alto risco. Não temos a certeza de que aplicar nesse momento trará ganhos reais. Saber o preço justo para o IPO é muito difícil. O preço de venda é estabelecido com base em análise de valor, que é uma projeção de ganhos futuros realizada por bancos de investimentos e outras empresas especializadas, mas que sempre tem grau de subjetividade, não há uma série histórica de preços. Na oferta inicial de ações há uma expectativa de preço por parte dos vendedores que pode variar ao longo do pregão – há casos narrados de variação próxima a 700% no dia do IPO. O mercado de capitais no Brasil vive um bom momento, com a janela para emissões aberta no mês passado, o volume de ofertas subsequentes (follow on) somou mais de R$ 3,6 bilhões. Segundo a B3, em outubro as negociações podem chegar a R$ 20 bilhões. Com a queda de juros, os investidores estão buscando rendimento no risco, já são mais de 1,4 milhão de investidores pessoas físicas na Bolsa de São Paulo. Outra mostra de força do mercado é que a captação líquida dos fundos locais tem crescido e soma R$ 206 bilhões neste ano até setembro. Os casos recentes de IPO, como os do Banco Inter, Intermédica, Hapvida e Centauro, tiveram crescimento de preços em 2019 entre 80% a 124%. A Vivara nesses poucos dias tem apresentado alguma perda, mas ainda estamos no período do chamado lock-up: um bloqueio de negociação estabelecido para evitar o “flipper”, estratégia de lucrar no curtíssimo prazo, prática de investidores que vendem os papéis logo após a abertura de capital. 

Notícias relacionadas
    Tudo o que sabemos sobre:
    mercado de capitaisVivara

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.