Investir fora do País é vantajoso?

Muitas pessoas que estudam planos de investimento para seus recursos perguntam-se sobre quais as condições e vantagens de se investir no exterior. Segundo o diretor-comercial da Lloyds Asset Management (LAM), Carlos Vasconcellos, o Banco Central (BC) não estimula a remessa de renda por parte de pessoas físicas, mas não há uma legislação que impeça isso. Porém, em sua avaliação esse tipo de investimento só compensa para aqueles que têm um patrimônio alto e estão dispostos a compor uma carteira diferenciada e aguardar um retorno a longo prazo - no mínimo, cinco anos.Vasconcellos entende que qualquer pessoa física pode fazer investimentos no exterior a partir de uma CC5 - abreviatura de "Carta-Circular 5", documento editado pelo BC para regulamentar a abertura de conta e a movimentação de recursos em moeda nacional em nome de residentes e domiciliados no exterior.Desta forma, abrindo uma conta corrente no exterior, a pessoa interessada em aplicar seus recursos deve determinar qual o tipo de aplicação mais conveniente com seu perfil. Os valores do investimento têm que ser declarados para o pagamento do Imposto de Renda e sofrem descontos das taxas de conversão da moeda e dos custos de remessa e regresso dos recursos. Aplicação no exterior é de longo prazo, rende pouco e só vale a pena para grande investidorPara esse tipo de investimento, a LAM lida com quantias mínimas de US$ 10 mil e recomenda aplicações de até 20% do valor patrimonial do interessado. Nesses casos, o dinheiro investido funciona como uma espécie de seguro de manutenção dos rendimentos. Assim, eventuais resgates no meio do caminho para suprir urgências poderiam levar a prejuízos. Para alcançar esses objetivos com mais tranqüilidade, é preciso investir quantias elevadas. Antes de partir para esse tipo de aplicação, Vasconcellos aconselha o investidor a analisar com cuidado quais são seus reais objetivos e se as expectativas de rendimentos dos investimentos no exterior combinam com seu perfil."É importante fazer uma alocação de recursos diferenciada e a longo prazo, tendo disciplina para atingir as metas estabelecidas. O brasileiro está acostumado com investimentos a curto prazo, resgatando as aplicações a cada baixa. Quem quer partir para esse tipo de investimento deve ser muito paciente e conhecer bem o mercado financeiro", explica.LegislaçãoO BC tem uma regulamentação específica para esses investimentos apenas em situações de funcionários brasileiros pertencentes a grupos econômicos estrangeiros. Esses grupos podem adquirir ações emitidas pela empresa líder no exterior até o limite de US$ 20.000,00 - ou seu equivalente em outras moedas - por funcionário de cada empresa e por período não inferior a 12 meses. Nesse caso, as remessas devem ser efetuadas pela empresa brasileira responsável no País pelo plano de compra. Ainda segundo a legislação do BC, "as ações só podem ser alienadas no exterior, devendo o investidor pessoa fisica promover o imediato retorno ao País dos recursos recebidos". As transferências financeiras do exterior a título de retorno ao País dos valores investidos e de ingresso de rendimentos devem ser feitas no Mercado de Câmbio de Taxas Flutuantes.

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