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Investir na AL é estratégico, justificam empresários espanhóis

A abertura do IV Fórum Europeu de Empresas Latino-Americanas, promovido pelo Latibex, serviu para que os principais bancos e empresas espanholas tentassem justificar a sua estratégia de destinar mais de US$ 100 bilhões nos últimos dez anos para a América Latina.Acumulando desde o final passado grandes perdas por causa da crise argentina e, mais recentemente, pela desvalorização do real e outras moedas da região, os executivos de grupos como Telefónica, Iberdrola e Endesa e os bancos Santander Central Hispano e BBVA, em suas palestras durante o evento, insistiram que os investimentos na região são "estratégicos", "de longo prazo" e vão render "dividendos no futuro".Dessa maneira, eles procuraram rebater as críticas, inclusive de boa parte de seus acionistas, de que cometeram um erro ao concentrar a maior parte de seus investimentos numa região repleta de problemas e incertezas, concentrando também assim o risco financeiro de suas empresas. "Este foi um ano difícil, mas a Espanha têm um compromisso de longo prazo com a América Latina", disse o ministro da Economia da Espanha, Rodrigo Rato. "A América Latina avançou muitos nos últimos anos, mas precisa avançar ainda mais, com urgência, nas reformas institucionais e outras medidas, como a concessão de maior autonomia a seus bancos centrais", completou.Destino estratégicoJá o presidente da Bolsa de Valores de Madri, Antonio Zoido, disse que a região "apesar das incertezas, é o destino estratégico para a Espanha e reforçou a presença global das nossas empresas". Zoido alertou, no entanto, que "a América Latina, para continuar avançando, precisa afastar essas periódicas crises de confiança". Até mesmo o Príncipe de Asturias defendeu a estratégia dos investimentos espanhóis. "A América Latina oferece enormes oportunidades", disse o monarca. "O risco é um componente essencial da atividade econômica e dos investimentos."Longe dos microfones, no entanto, o clima entre vários executivos era de preocupaçao, uma situação bem distante da vivida no mesmo seminário do ano passado, quando apesar da economia argentina já estar em apuros, ainda havia maior confiança no Brasil e no ritmo de recuperaçao da economia global.Circulam inclusive avaliações, de que alguns grupos espanhóis, de uma maneira muito silenciosa e gradual, estão gerenciando uma diminuição de sua exposiçao na região, com a venda de alguns ativos e contenção dos planos de investimentos. Como observou um graduado executivo brasileiro presente no evento, "no começo os espanhóis acharam que estavam comprando marco alemão na América Latina, mas agora perceberam que estão cheios de peso argentino, com exceçao do Chile e México, e não sabem o que fazer com isso". Apesar de observarem que a Argentina vem dando sinais positivos nos últimos meses, poucos executivos espanhóis apostam numa situação de maior estabilidade no país, pelo menos no médio prazo. Mas a atenção, nesse momento, se concentra nos rumos da economia brasileira sob a batuta do futuro governo, que poderá ditar o rumo de toda a região nos próximos anos. Satisfeitos com os sinais já emitidosEm termos gerais, os espanhóis demonstram estar satisfeitos com os sinais emitidos até o momento pela Partido dos Trabalhadores, principalmente no que se refere ao rigor fiscal, controle inflacionário e respeito aos contratos. Mas ainda há uma desconfiança se as promessas serão traduzidas em atos concretos a partir de janeiro. Por isso, a participação hoje no seminário do assessor econômico do PT, Guido Mantega, mesmo que através de videoconferência, está gerando grande expectativa.O chefe executivo do Santander, Francisco Luzon, foi o que se mostrou mais otimista com as perspectivas da economia brasileira. Segundo ele, a transição política no País tem sido "fantástica" e o "País deverá recuperar o crescimento sustentável".O Santander está reformulando o modelo de suas operações no Perú, Colômbia e Uruguai, países onde pretende onde pretende reduzir o número agências e se dedicar mais ao setor corporativo. "Mas não estamos abandonando nenhum país, salientou Luzon. Ele criticou duramente aqueles que são contrários a presença do capital espanhol no outro lado do Atlântico. "Estamos sofrendo os efeitos dos problemas econômicos globais", disse. "Se o problema fosse a América Latina, as empresas e as bolsas dos países que não estão naquela região estariam tendo um desempenho melhor do que a Espanha, por exemplo, mas não é isso que estamos vendo." O diretor do Santander fez também um alerta para aqueles que eventualmente podem estar pensando em abandonar a região."Leituras errôneas podem induzir decisoes precipitadas e equivocadas", disse.Já o presidente da Telefónica, Cesar Alierta, salientou que vê sinais de recuperaçao para o setor de telecomunicaçoes na região. Segundo ele, a telefonia na América Latina tem um enorme potencial de crescimento e requer investimentos de cerca de US$ 40 bilhões até 2006.

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