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Investir na Bolsa requer reflexão e planejamento

O investidor que se dispõe a investir em renda variável tem de saber lidar com isso e estar disposto a aceitar maiores riscos

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2019 | 05h00

Como todos estão falando, estou pensando em investir em ações neste ano. Porém, fiquei preocupado com esse acontecimento em Brumadinho (MG) e o reflexo disso na Vale. Qual o seu conselho?

É algo muito recomendado investir parte dos recursos em renda fixa e parte em renda variável, isto para buscar maior grau de diversificação, mitigando risco na tentativa de maior retorno. Mas, como tenho repetido, investir em ações exige maior conhecimento financeiro e planejamento para ter uma estratégia de investimento efetiva. Esse acontecimento em Minas Gerais serve como um bom exemplo do risco que incorremos ao investir em ações. A Vale é uma empresa sólida, mas está envolta nessa tragédia. O investidor que se dispõe a investir em renda variável tem de saber lidar com isso e estar disposto a aceitar maiores riscos. Para dar uma ideia da volatilidade de preços, nas últimas 52 semanas, a maior alta de preços da ação da mineradora foi de R$62,42, enquanto a maior baixa foi R$39,93.

Tenho 84 anos e respondo pela curatela de meu irmão de 88 anos que não anda e perdeu a memória. As economias dele estão investidas em VGBL/PGBL em torno de R$360 mil, além de possuir R$50 mil mantidos em conta corrente. Gasto aproximadamente R$2 mil por mês para ajudar nas despesas. No ano passado, além do rendimento ínfimo, o banco tirou R$3,7 mil dos planos de Previdência. Todo ano preciso apresentar em juízo todas as contas recentes e, se houver redução de patrimônio, também tenho de repor o valor. Como fico nesta situação? Qual a orientação?

A primeira coisa que deve fazer é exigir uma explicação bastante clara do gerente de sua conta bancária sobre essa situação, além da apresentação do extrato com o detalhamento sobre essa retirada de dinheiro. Pelo colocado na carta a nós encaminhada, não há como saber exatamente o porquê da retirada dos valores. Nos planos de Previdência privada há a cobrança de dois tipos de taxa, uma delas de administração e a outra é de carregamento. A taxa de administração é cobrada anualmente sobre o valor total da aplicação e varia conforme a instituição, por isso recomenda-se fazer uma consulta. Por exemplo, se ao final do exercício você tiver R$ 10 mil acumulados, com taxa de 2%, o valor é reduzido em R$ 200 e passará a R$ 9,8 mil. A taxa de carregamento é um percentual cobrado em cima do valor aplicado mensalmente. Por exemplo, com uma taxa de 3%, a cada R$ 100 depositados, somente R$ 97 serão efetivamente aplicados em sua conta. Hoje em dia, muitas instituições estão isentando os seus clientes dessa cobrança. Além disso, há o imposto de renda, mas que somente é pago quando ocorrem saques ou recebimento de benefícios. Caso a senhora não se sinta satisfeita com as explicações de seu gerente, procure pela ouvidoria do banco e demande explicações. Infelizmente, esse aparenta ser um caso de pessoas despreparadas em suas funções e que não são capazes de realizar um bom atendimento, particularmente para clientes que mais necessitam de atendimento qualificado. Caso nem mesmo a ouvidoria da seguradora dê a devida atenção ao seu caso, faça uma reclamação diretamente à SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) no site www.susep.gov.br/fale-conosco. Com relação a prestação de contas em juízo, não fique preocupada, porque os valores cobrados devem ser os custos dos planos e não são considerados redução de patrimônio por má gestão dos recursos. Quando puder, conte-nos se a senhora conseguiu ter as explicações que precisa sobre essas questões.

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