Investir no exterior foi boa escolha para os brasileiros

O saldo de lucros e dividendos do balanço de pagamentos apresentou, no mês de outubro, um forte aumento em relação ao mesmo mês de 2011. A procura de explicação para esse aumento, no quadro de uma economia desaquecida, leva ao exame da maneira como evoluíram os investimentos brasileiros no exterior, em comparação com os investimentos estrangeiros no Brasil. Deve-se levar em conta que a crise nos países ricos não estimulou o capital brasileiro a investir no exterior, mas o capital estrangeiro ficou sensível ao crescimento da demanda que se verificou no Brasil, ao mesmo tempo que as oportunidades de investimento na Europa se tornavam cada vez mais escassas.

O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h08

A diferença entre a evolução dos investimentos, nos dois casos, é particularmente grande: queda de 59,9%, para o capital brasileiro, e de 1,1%, para o capital estrangeiro investido no Brasil nos dez primeiros meses do ano (em valores).

Os investimentos brasileiros no exterior, no período, representam apenas 2,8% dos investimentos estrangeiros entrados em nosso país. A procura por oportunidades no exterior começou muito tarde (em 2008) e foi frustrada pela crise dos países ricos. O Brasil, assim, não teve tempo suficiente para acumular um total de investimentos capaz de sustentar uma presença importante nos países do Hemisfério Norte. Tal situação aparece claramente quando se examinam outros dados dos investimentos das duas partes em questão.

As receitas das multinacionais brasileiras implantadas no exterior apresentam uma redução de 40,7% nos dez primeiros meses de 2012, em relação ao mesmo período de 2011 - ante uma queda de 20,8% sofrida pelas multinacionais instaladas no Brasil. Poder-se-ia estranhar que o capital estrangeiro continuasse vindo para o Brasil apesar dessa queda de receitas. É que o capital não produz receitas na fase inicial da atividade e, além disso, não existem oportunidades de investimentos nos países de origem. Manter presença no Brasil é essencial neste momento.

A queda de receitas é, em parte, compensada por uma redução de despesas, de 37,4% para as firmas brasileiras e de 40% para as estrangeiras. Cumpre levar em conta que o retorno do capital estrangeiro caiu de US$ 12,2 bilhões para US$ 4 bilhões de um ano para outro, enquanto a queda foi bem menor para as multinacionais brasileiras, cujo retorno, no mesmo período, subiu de US$ 3,3 bilhões para US$ 4,8 bilhões. Justificaram-se, portanto, os investidores brasileiros que optaram pelo exterior.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.