Investir por conta própria é opção para aposentadoria

Planos de previdência privada têm tido crescimento exponencial no Brasil nos últimos anos. Mas, segundo especialistas em finanças pessoais, não são a única maneira de planejar a aposentadoria. Há alternativas que permitem ao investidor gerir o próprio dinheiro. Alguns cálculos revelam que essas formas podem até resultar em rendimentos mais significativos que os oferecidos na previdência privada.

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2010 | 00h00

A liberdade para a movimentação do dinheiro, o que possibilita ao investidor aproveitar as bonanças do mercado no decorrer do tempo, é o grande diferencial entre a elaboração de uma carteira para a aposentadoria e a tradicional previdência. Além disso, com a alternativa para o planejamento, o cliente está livre de taxas de administração, de carregamento e de saída cobradas pelos bancos na previdência.

"São inúmeras as taxas de um plano de previdência. Esses custos, no longo prazo, diminuem significativamente os rendimentos", explica Otto Nogami, professor de finanças do Insper (ex-Ibmec São Paulo).

Carteiras que mesclam renda fixa com variável são a alternativa mais recomendada por especialistas em finanças pessoais. Rodrigo Menon, da Beta Advisor, salienta que "a regra é diversificar". A carteira recomendada por ele para um investidor que tem, no mínimo, prazo de 15 anos para se aposentar é: 25% em ações; 20% em títulos atrelados à inflação; 20% em títulos prefixados e 25% em DI (que segue as taxas de juros pós-fixadas).

Os mais velhos, que estão mais perto da aposentadoria, devem manter 15% em ações e adicionar 10% em DI, segundo a recomendação do especialista. "Essas são recomendações a investidores padrão, ou seja, com perfil moderado", observa Menon.

Risco. Décio Pecequilo, operador sênior da TOV Corretora, é mais arrojado e diz que jovens podem ter 80% ou até 100% em ações. "Eu, por exemplo, acumulei patrimônio somente com investimentos nesses papéis", diz.

Para o professor do Insper, porém, independentemente da idade, quem planeja a aposentadoria deve manter 50% dos investimentos em títulos públicos ou CDB. Nas contas dele, 30% devem ficar em bolsa e os 20% restantes, na poupança ou em fundos DI. A ideia, diz ele, é que o investidor desloque os recursos caso haja uma boa oportunidade no mercado.

"Mas, atenção, em todos os quesitos, sobretudo na bolsa, o investidor precisa conhecer bem o produto", diz.

Disciplina. Os especialistas frisam que planejar a aposentadoria fora da tradicional previdência é apenas para aqueles que têm disciplina para controlar o orçamento. "Caso contrário, é melhor manter o dinheiro no piloto automático da previdência", afirma Menon. "Investimentos em ações precisam de acompanhamento e atenção", completa Pecequilo.

Comprar imóveis para depois locar também está na lista de alternativas à previdência. "Aluguéis servem como complemento de renda na aposentadoria", diz Menon. Os mais indicados são os imóveis comerciais, que têm maior potencial de retorno.

Nogami, do Insper, não recomenda essas aplicações. "Não há liquidez para isso", diz. Ele também observa que o investidor que escolher o caminho próprio não terá os benefícios fiscais concedidos nos planos de previdência.

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MODELO ALTERNATIVO

Dicas para planejar a renda na terceira idade sem recorrer a planos de previdência privada

1. Quanto antes começar a poupar, melhor.

2. Não ter um portfólio 100% conservador ou totalmente arriscado.

3. Montar carteira mesclando renda variável com renda fixa. Porcentuais variam conforme idade e perfil do investidor.

4. As blue chips (ações mais importantes da Bovespa) são bastante recomendadas para investimentos de longo prazo.

5. Jovens podem arriscar mais, ou seja, aportar 80% ou mais da carteira em ações, Os outros 20% podem ser mantidos na poupança.

6. Para os mais velhos, que estão mais próximos da aposentadoria, o ideal é manter uma carteira mais conservadora, com 20% em ações e 80% em renda fixa.

Fonte: Analistas de mercado

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