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IOF abre brecha para realização de lucros e Bovespa cai

Índice da bolsa recuou 2,88%, fechando em 65.303,11 pontos, um dia após ter atingido a maior pontuação do ano

Taís Fuoco, da Agência Estado,

20 de outubro de 2009 | 18h19

A taxação do capital externo com alíquota de 2% de IOF, que pela primeira vez atinge também as aplicações em ações, teve como reação imediata do investidor a venda dos papéis. Afinal, parecia unânime no mercado a avaliação que os preços dos ativos já haviam esticado bastante e que a bolsa precisava "de um respiro", como disse um operador. Enquanto assimila a medida, o investidor decidiu realizar lucros nesta terça-feira, 20. Dessa maneira o recuo do principal índice da bolsa brasileira foi de 2,88%, para 65.303,11 pontos, depois de atingir na segunda, 19, a maior pontuação em quase 16 meses. Todos os ativos da carteira teórica do Ibovespa fecharam em queda. O giro financeiro, que na segunda foi de R$ 10,5 bilhões pelo vencimento de opções sobre ações, foi de R$ 8,92 bilhões.    

 

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O decreto com a decisão do governo foi publicado nesta terça-feira, 20, no Diário Oficial, mas deixou uma dúvida sobre o início da validade que só uma medida jurídica irá esclarecer, segundo a Receita Federal. Segundo o decreto nº 6.983, que entrou em vigor nesta terça, a cobrança ocorre na liquidação das "operações de câmbio para ingresso de recursos no País, realizadas por investidor estrangeiro, para aplicação no mercado financeiro e de capitais". Segundo regras da BM&FBovespa, a liquidação para as operações de compra de ações ocorre em D + 3, ou seja, todas as ordens dadas entre os dias 15 e 19 de outubro estariam sujeitas a essa tributação. Mas a Receita esclareceu que os contratos anteriores a esta terça não serão tributados.

 

Para Rodrigo Falcão, operador de mercado da Icap Brasil, o que se espera de mais efetivo com a decisão do governo é uma redução no volume diário negociado na bolsa. "A expectativa é que esse volume diário vai minguar um pouco e parte migre para ADRs", opinou. Ele estimava que o giro diário da bolsa dobrasse em dois ou três anos, "mas agora já tenho minhas dúvidas".

 

Segundo Falcão, "o investidor vai continuar comprando ações do Brasil" e, se a taxação for um problema, vai fazê-lo através das ADRs fora do Brasil. Ele atribui a queda de hoje mais a uma realização de lucros que a uma reação ruim. "Não vai ser isso que vai fazer uma mudança estrutural em tudo o que o País já conquistou", afirma.

 

Papéis que atraem volume considerável de investidor estrangeiro acabaram por sentir mais o efeito "day after" no pregão desta terça-feira, 20. Esse foi o caso das ações da BM&FBovespa, que tem um terço de seu volume, em média, negociado por investidores externos. Depois de cair mais de 13%, as ações da bolsa fecharam o dia a R$ 12,41 (-8,41%).

 

As blue chips Petrobras e Vale, entretanto, não ficaram ausentes das vendas maciças de papel. No caso da Petrobras, o movimento contou com a queda nas cotações futuras de petróleo para impulsionar o recuo. O petróleo WTI para novembro, cujos contratos vencem hoje, tiveram recuo de 0,65%, negociados a US$ 79,09. Enquanto isso, as ações ordinárias da Petrobras perderam 1,77%, para R$ 43,20, ao passo que o papel sem direito a voto caiu 2,30%, a R$ 36,50.

 

A Petrobras confirmou, na noite de segunda-feira, 19, por meio de comunicado, a emissão de títulos no mercado internacional, em diferentes tranches, como havia antecipado uma fonte à agência Dow Jones. A emissão deve girar em torno dos US$ 3,25 bilhões, segundo uma alta fonte da empresa ouvida pela repórter Kelly Lima. O valor é próximo ao que a estatal possui contratado como empréstimo-ponte com bancos nacionais e estrangeiros. A intenção da companhia é substitui-lo por dívidas de mais longo prazo.

 

Segundo a fonte, a companhia não descarta a possibilidade de emitir um valor superior, conforme a reação do mercado. "Não há um valor exato para a emissão. Pode ser um pouco mais ou um pouco menos da dívida existente. Se as condições forem boas, nada impede de captarmos mais", afirmou a fonte. A emissão, em diferentes tranches, será realizada pela Petrobras International Finance Company (PifCo).

 

Já a Vale, que tem povoado o noticiário dos últimos dias pelas críticas públicas de membros do governo federal à mineradora, também sentiu nesta terça os efeitos das declarações do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, de que o governo estuda elevar a taxação do setor de mineração, inclusive das exportações. Os papéis com direito a voto da companhia fecharam em queda de 1,80%, a R$ 45,77, enquanto as preferenciais cederam para R$ 40,50(-2,17%).

 

No mercado de metais, embora mais cedo tenha registrado alta na London Metal Exchange (LME) e atingido o patamar mais alto desde setembro de 2008, o preço do cobre fechou em baixa, pressionado pela fraqueza do dólar e por uma queda nas ações norte-americanas. Entre os metais preciosos, o ouro fechou em alta, mas praticamente estável, enquanto a prata caiu. Na rodada livre de negócios (kerb) desta tarde da LME, o preço do contrato do cobre para três meses perdeu US$ 52 e fechou a US$ 6.416,00 a tonelada. O chumbo para três meses ganhou US$ 10 e fechou a US$ 2.298,00, enquanto o zinco teve alta de US$ 20 e fechou a US$ 2.130,00. Já o alumínio recuou em US$ 31, para US$ 1.914,00 a tonelada, enquanto o níquel também teve queda, de US$ 425, para US$ 18.850,00. O preço do estanho caiu US$ 175 para US$ 14.375 a tonelada.

 

No mercado norte-americano, o número de obras residenciais iniciadas nos EUA aumentou 0,5% em setembro ante agosto, bem menos que a alta de 2,0% prevista; o de permissões para novas obras diminuiu 1,2%, surpreendendo os analistas, que previam aumento de 2,8%. Outro dado fraco, divulgado no mesmo horário, foi a queda de 0,6% do índice de preços ao produtor (PPI) em setembro ante agosto, bem maior que a de 0,2% esperada; também fraco, o núcleo do PPI recuou 0,1% e surpreendeu os analistas, que em média previam aumento de 0,1%.

 

Dessa forma, as bolsas em Nova York fecharam o pregão em queda. Dow Jones perdeu 0,50%, para 10.041 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,62%, aos 1.091 pontos, e a bolsa eletrônica Nasdaq teve retração de 0,59%, aos 2.163 pontos.

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