IOF e turbulências externas freiam crédito em 2008, avalia BC

Segundo economista, crise e aumento do imposto impedirão reduções significativas no custo dos financiamentos

Isabel Versiani, da Reuters,

29 de janeiro de 2008 | 12h42

Após avançar 27,3% no ano passado, o volume de crédito no País tende a crescer a taxas mais modestas em 2008, quando as turbulências externas e o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) devem impedir reduções mais significativas do custo final dos financiamentos. A avaliação é do Banco Central. "A gente não tem tanto espaço para redução de taxas, é de se esperar um crescimento menor do crédito", afirmou a jornalistas o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ao comentar os dados do crédito em 2007 nesta terça-feira, 29. Ele afirmou que a redução das taxas finais cobradas dos consumidores explicou a maior parte do aumento do crédito no ano passado. Ele acrescentou que essa redução continuou a ocorrer, via queda do spread - diferença entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada dos clientes -, mesmo quando a piora do cenário externo, no final do ano passado, provocou uma elevação no custo de captação dos bancos. "Até que essa crise se resolva ou fique mais clara sua duração, a elevação do custo de captação (dos bancos) deve permanecer", disse Lopes. "A redução do spread ficou comprometida por força do IOF", acrescentou, em referência ao aumento da alíquota do IOF promovida pelo governo em janeiro como medida para compensar parte das perdas com o fim da CPMF.  Apesar de o custo dos empréstimos tender a ficar, no mínimo, estável no ano, os prazos podem continuar subindo por força do aumento da participação do crédito imobiliário, que é isento do IOF, disse Lopes. O prazo médio das operações de crédito fechou o ano passado em 351 dias, frente a 296 dias em dezembro de 2006.

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