IOF maior para cartões de débito e pré-pagos deixa turista com pouca alternativa para fugir do imposto

Analistas sugerem a diversificação do uso das modalidades de pagamento, mas avaliam que, por segurança, pré-pago ainda é melhor opção

ANNA CAROLINA PAPP , LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2013 | 02h06

O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos gastos no exterior com cartões de débito e pré-pagos, cheque de viagem e saques em moeda estrangeira deixou o turista brasileiro com poucas alternativas para escapar do imposto. Na sexta-feira, o governo elevou o IOF de 0,38% para 6,38% e equiparou essas modalidades de pagamentos à taxa do cartão de crédito.

Para especialistas, a medida deve estimular o uso do dinheiro em espécie. "O turista está começando a ser cercado. O cartão de débito, uma das poucas ferramentas que eram vantajosas, não tem mais muito sentido. O brasileiro tende a comprar dinheiro em espécie, que não é uma coisa muito legal", afirma André Massaro, consultor e educador financeiro.

Com dinheiro vivo, a viagem tende a ficar mais burocrática. O viajante terá de ficar atento às normas de cada país quanto ao ingresso de dinheiro em espécie e redobrar a atenção com a segurança. No caso brasileiro, o turista deve declarar para a Receita Federal toda vez que deixar ou entrar no País com quantia superior a R$ 10 mil em espécie, tanto em moeda nacional como estrangeira.

"O governo tenta segurar o gasto do turista porque sabe que está saindo muito dinheiro do País", afirma Fabio Colombo, administrador de investimentos.

De acordo com os dados do Banco Central, em novembro deste ano os brasileiros gastaram no exterior US$ 1,874 bilhão em viagens internacionais, o valor mais alto da história para o mês. No acumulado de 2013, os gastos fora do País somaram US$ 23,125 bilhões, acima dos US$ 20,244 bilhões verificados nos onze meses de 2012.

Diversificação. Na avaliação do educador financeiro Mauro Calil, mesmo com a nova tributação, o viajante deve fazer uso dos três meios de pagamento - crédito, débito e dinheiro -, porém, para situações diferentes. "O grosso deve ir no cartão pré-pago; o dinheiro é para usos corriqueiros, como o táxi e a gorjeta, e o cartão de crédito, para emergência", afirma.

"Com a equiparação da taxa dos cartões, se você iria levar R$ 500 ou R$ 1 mil, leve R$ 2 mil, R$ 2,5 mil. Mas sempre lembrando de ter muito cuidado e guardar o dinheiro em lugar seguro", orienta Calil.

Apesar de o cartão pré-pago ter perdido sua vantagem tributária, o educador financeiro ainda o considera a opção mais adequada para os turistas. Nessa modalidade de pagamento, o turista tem mais controle sobre o quanto pode gastar na viagem. "Com o pré-pago você consegue se organizar melhor, controlar seus gastos", afirma Calil.

Além disso, é possível "travar" o câmbio no momento de carregar o cartão.

"No caso do cartão de crédito, você só saberá a cotação no fechamento da fatura e pode ter surpresas - assim, ele continua com a função de emergência."

Neste ano, por exemplo, o dólar já subiu 14,52% em relação ao real, cotado a R$ 2,34 na sexta-feira.

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