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IOF não desestimulará ofertas de ações, afirma Mantega

Ministro diz que apetite dos investidores estrangeiros está relacionado com a lucratividade das empresas

Fábio Graner, da Agência Estado,

22 de outubro de 2009 | 12h49

Ao dizer que não pensa em fazer alterações na taxação de IOF no capital estrangeiro e afirmar que o tributo ficará do jeito que está, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que não acredita que a medida vá desestimular as ofertas primárias de ações (IPOs, da sigla em inglês). "Não estou pensando em medidas adicionais no momento. Vamos levar um tempo para ver as repercussões da medida que creio serão positivas. Ela não é a salvação da lavoura, mas tem por objetivo evitar excessos, atenuar a valorização do real e ação especulativa na bolsa brasileira", disse o ministro.

 

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Em entrevista à Agência Estado, o ministro disse que o apetite dos investidores estrangeiros está relacionado com o crescimento da economia e com a lucratividade das empresas. "Acredito que o movimento de IPOs continuará, independentemente dessa medida", disse Mantega. Ele ressaltou que a lucratividade que os investidores terão com a aposta no Brasil no horizonte de longo prazo mais que compensa a taxação.

 

"O Brasil é uma das poucas economias do mundo que está em expansão. Quem aposta no crescimento virá para o Brasil. Para quem quer apenas especular, aplicar num dia e sair no outro, o IOF deixa menos interessante", disse Mantega. Ele voltou a dizer que não se pode medir o impacto da medida de um dia para o outro e que isso leva tempo, mais até do que uma semana.

 

Mantega ressaltou que as repercussões têm sido positivas no Brasil e no exterior. Ele mencionou, inclusive, artigo do Financial Times que classificou de "sábia" a medida. "Wall Street certamente não vai gostar porque vive de operações especulativas que, aliás, causaram a crise que hoje afeta o mundo", afirmou Mantega, acrescentando que outros países em desenvolvimento e que estão crescendo como o Brasil podem adotar medidas semelhantes para conter a queda do dólar e seus impactos negativos na produção. Mas ele afirmou que não há uma ação orquestrada entre os países para isso.

 

Segundo o ministro, a medida não impede que capital estrangeiro venha para o Brasil e ressalta que não se trata de um controle de capital. "Estamos apenas estabelecendo um parâmetro", disse Mantega, que lembrou que o investimento estrangeiro direto não foi taxado.

 

Miguel Jorge

 

Mantega diz que "estranhou" a manifestação contrária do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, à cobrança de IOF sobre capital estrangeiro. Segundo Mantega, na reunião do Grupo de Avanço da Competitividade (GAC), dos 40 setores empresariais presentes - como o siderúrgico, automotivo, máquinas e equipamentos, têxtil, entre outros - todos se manifestaram a favor da medida, à exceção da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

 

"O setor produtivo aprovou a medida e o ministro Miguel Jorge estava presente. Estou estranhando ele ser contra a medida, pois ele estaria contra todo o setor empresarial que ele representa. O ministério do Desenvolvimento tem interesse nisso e seria estranho ele se contrapor a essa medida", disse Mantega. Questionado se estaria chateado com Miguel Jorge, o ministro da Fazenda disse que não: "Acho que o Miguel Jorge está sendo mal interpretado. Acho estranho que ele seja contra".

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