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IOF sobre capital externo tem efeito limitado para pessoa física

Para os analistas, a possibilidade de redução no fluxo de estrangeiro na bolsa deve diminuir a médio prazo

Yolanda Fordelone, da Agência Estado,

20 de outubro de 2009 | 16h41

A forte queda desta terça-feira do Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa de Valores de São Paulo, deve se prolongar por mais alguns dias com os investidores ainda absorvendo a notícia da criação de um novo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% para os investidores estrangeiros, anunciado nesta última terça-feira, 19. "O mercado já esperava há tempos um motivo para realizar o lucro acumulado neste ano e a taxação foi o gatilho", avalia o gerente comercial da Gradual, Sidnei Malaman. Nesta terça-feira mesmo o mercado acionário já reagiu ao anúncio. "No after market, as ações atingiram o limite máximo de baixa, de 2%", diz.

 

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A medida afeta diretamente as aplicações dos estrangeiros - por criar uma barreira tarifária que diminui o prêmio desses investidores -, mas também traz consequências para o investidor pessoa física. Para os analistas, a possibilidade de redução no fluxo de estrangeiro para o mercado acionário pode estender o recuo visto hoje na Bolsa no curto prazo. A médio prazo, porém, o efeito deve diminuir.

 

"O efeito sobre a bolsa é limitado. Deve durar dois, três dias", comenta Malaman. A economista da corretora Link, Marianna Costa, concorda: "Tem algum efeito nos primeiros dias, mas, a médio prazo, acho que não barrará a entrada de capital estrangeiro no Brasil, pois a atratividade do País ainda é muito alta", diz.

 

A valorização da Bolsa no ano - de mais de 71% em reais e de 100% em dólares - também é apontada como um dos atrativos para a permanência dos estrangeiros. "A Bolsa já subiu muito em dólares. A taxa de 2% só vai diminuir um pouco o prêmio dos estrangeiros", diz Marianna. Atualmente, os investidores estrangeiros representam mais de 32% da participação do volume financeiro da Bolsa.

 

A taxação causa ainda um segundo efeito sobre as aplicações das pessoas físicas, no que se refere às ofertas públicas. Na última onda de IPOs na Bolsa, estrangeiros foram responsáveis por cerca de 70% da demanda na oferta. "Diria que 90% dos investidores pessoas físicas entraram nas ofertas para ter lucro no curto prazo ("flippar"), olhando, entre outras coisas, se a oferta estava atraindo estrangeiros", diz o gerente da Gradual.

 

Segundo ele, com o novo imposto, os investidores individuais podem se sentir inibidos em participar das ofertas, com receio de que a demanda estrangeira seja menor. "Com menos estrangeiros nos IPOs, o giro de negócios pode diminuir e deixar a oferta bem menos atraente", diz.

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