Amanda Perobelli|Estadão
Amanda Perobelli|Estadão

IoT automatiza casas, empresas e cidades

Governo brasileiro trabalha num Plano Nacional de Internet das Coisas para definir políticas públicas

Mariana Lima, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2017 | 05h00

Da geladeira da sua casa ao poste de iluminação pública no caminho do seu trabalho, os objetos vão trocar informações entre si sem que você perceba. A tecnologia por trás disso é conhecida como internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) e, ainda que timidamente, já está presente na vida de milhares de brasileiros.

O IoT funciona por meio de sensores instalados em objetos conectados a redes como Wi-Fi e celular. Assim, dispositivos como televisores inteligentes, que estão entre os itens preferidos dos brasileiros, serão objetos comuns nas futuras casas conectadas.

“A geladeira vai dizer ao supermercado quais alimentos estão acabando. O GPS do celular vai avisar ao ar condicionado da casa que você já está saindo do trabalho e em quanto tempo deve voltar. As coisas vão ser sim, todas conectadas”, afirma Guilherme Araújo, executivo da IBM Watson no Brasil.

Pode parecer futurista, mas até as previsões menos otimistas preveem um ambiente totalmente conectado em, no máximo, duas décadas.

Com inteligência artificial e muitos dados disponíveis, a expectativa é que os objetos passem a tomar decisões simples sem intervenção do dono. Assim, será comum que um carro se torne responsável pelo agendamento da própria revisão ou troca de peças, por exemplo.

“Com a automação aplicada ao mínimos detalhes da vida humana, os impactos sociais devem ser enormes”, explica Araújo. “E, com isso, vamos investir nosso tempo em coisas mais interessantes, como estudar. Ou ainda vamos ver surgir novas coisas para nos ocupar, algo parecido com o que aconteceu com as redes sociais.”

Recursos naturais. O modo de viver das pessoas deve mudar bastante, mas é a economia mundial que será a mais impactada com a tecnologia.

Os inúmeros dados produzidos e analisados por máquinas, dotadas de inteligência artificial, ajudarão na gestão de recursos como energia, combustível para veículos e até mesmo água potável.

Kleber Faccipieri, líder de transformação digital da Huawei, acredita que o IoT trará impactos ainda incalculáveis para empresas que aderirem à tecnologia.

“A internet das coisas alterará o volume de informações disponíveis para tomada de decisão de processos como manutenção e distribuição de produtos. Além disso, fará com que novos campos de trabalho surjam e que as pessoas tenham de adquirir novos conhecimentos e habilidades.”

Produtividade. Grandes empresas veem na América Latina um mercado potencial para a tecnologia. Isso porque o IoT tende a eliminar deficiências de setores estratégicos para a região, como logística, saúde e indústria.

“Temos na região um grande potencial de instalação de tecnologia e desenvolvimento de sistemas”, diz Fábio Tagnin diretor de vendas de IoT da Intel para América Latina.

Para que a tecnologia seja amplamente usada no Brasil é preciso resolver alguns entraves. Regiões do País sem banda larga não terão capacidade técnica para manter todos os objetos conectados via internet.

Na tentativa de entender a tecnologia e alinhar as diretrizes que culminarão em políticas públicas, o governo federal anunciou, no ano passado, a iniciativa de criar um Plano Nacional de Internet das Coisas.

Com o plano, o governo federal quer colocar o Brasil entre os líderes na implementação da tecnologia, participando das discussões mundiais de padronização e traçando projetos para aumentar a conectividade no território nacional.

A sinalização do governo animou empresários nacionais. Previsões da IDC Brasil, consultoria especializada em tecnologia da informação, dão conta de que os investimentos na tecnologia devem se fortalecer a partir do segundo semestre do ano.

A expectativa da IDC é que o ecossistema de IoT no Brasil movimente mais de US$ 13 bilhões até 2020. Até lá, o tamanho do mercado brasileiro de internet das coisas deve dobrar.

Ricardo Buranello, vice-presidente da Telit para a América Latina, sustenta que o movimento no Brasil é inevitável.

“O Brasil viveu uma década de redução dos índices de produtividade industrial. Ou as empresas investirão em tecnologia ou em pouco tempo deixarão de existir”, acrescentou Buranello. 

Dispositivos conectados enfrentam ameaças

A conectividade entre aparelhos traz à tona o desafio de proteção de dados contra cibercriminosos e espionagem. 

Leandro Werder, diretor de engenharia da Fortinet, explica que há uma mobilização global entre empresas de segurança e governos na tentativa de definir regras para evitar ataques à segurança e à privacidade de pessoas e empresas.

Casos recentes já demonstram a fragilidade dos dispositivos de IoT disponíveis no mercado hoje. A invasão de babás eletrônicas, câmeras de segurança e TVs inteligentes deixou o mercado em alerta.

“A ironia deste cenário é que, à medida que tornamos as aplicações, os dados e os serviços mais rápidos num ambiente cada vez mais diversificado, estamos agravando a complexidade de protegê-los num ambiente também de ameaças em constante mudança”, diz o especialista em segurança de IoT.

Os fabricantes debatem agora como evitar que hackers invadem dispositivos como carros autônomos e infraestruturas críticas como a iluminação pública, o que poderia provocar acidentes em massa. 

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