Marcos Santos/USP Imagens
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IPCA-15 desacelera e fica em 0,6% em abril

Taxa acumulada em 12 meses, porém, voltou a subir e chegou a 6,17%

Daniela Amorim, Maria Regina Silva e Luciana Xavier, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2021 | 12h06

RIO E SÃO PAULO - A alta nos preços dos combustíveis perdeu fôlego na prévia da inflação de abril, mas o aumento na gasolina ainda foi responsável por metade do avanço de 0,60% registrado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) este mês, informou nesta terça-feira, 27, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa acumulada em 12 meses acelerou de 5,52% em março para 6,17% em abril, o resultado mais elevado desde dezembro de 2016. No entanto, o desempenho veio melhor que o esperado pela maioria dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast.

A desaceleração do IPCA -15 no mês de abril após a alta de 0,93% em março indica que "finalmente" a inflação está perdendo força, avaliou Gustavo Cruz, estrategista da gestora de recursos RB Investimentos.

"Esse deve ser o comportamento dos próximos meses. Inclusive, a projeção para o IPCA de abril, na Focus (boletim semanal com projeções de analistas compiladas pelo Banco Central), chegou a 0,45% e já caiu para 0,38%. Deve ficar em torno de 0,30% ou até menor do que isso nos próximos meses, só acelerando no fim do ano", previu Cruz.

O estrategista da RB Investimentos acredita que o arrefecimento do IPCA-15 reforça a sinalização de que o Banco Central elevará em 0,75 ponto porcentual a taxa básica de juros, a Selic, para 3,50% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de maio

"Entendo que a pressão finalmente começa a desacelerar e isso é relevante para o BC seguir seu plano de voo de 0,75 (ponto porcentual de alta). Me parece mais que o juro pode chegar em 5,50% no fim do ano do que subir acima dos 6,50%, como vê parte do mercado", estimou Cruz.

O estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, concorda que aumentaram as chances de um novo aumento de apenas 0,75 ponto porcentual na Selic, que já foi elevada na última reunião do Copom de 2,00% para 2,75% ao ano.

"O IPCA-15 reforça o cenário de que a alta da inflação decorre de choques de alguns preços, no caso mais recente de energia, com a alta do petróleo. Mas ainda não são pressões disseminadas. Temos a inflação de alimentos arrefecendo, a pressão dos preços de petróleo diminuindo, o índice de difusão também menor, e acho que esse dado abaixo do esperado reforça que o Banco Central deve manter a alta de juros como a da última reunião e não acelerar", afirmou Rostagno.

No IPCA-15 de abril, o preço da gasolina aumentou 5,49%. Houve altas ainda no óleo diesel (2,54%) e no etanol (1,46%). As passagens aéreas subiram 6,27%, após três quedas consecutivas.

O gás de botijão teve um aumento de 2,49%, acumulando um avanço de 20,22% nos últimos 12 meses. A energia elétrica ficou 0,47% mais cara em abril, impulsionada por reajustes tarifários nas concessionárias do Rio de Janeiro.

Os gastos das famílias com alimentação e bebidas subiram 0,36%, sob pressão dos aumentos no pão francês (1,73%), leite longa vida (1,75%) e carnes (0,61%). Por outro lado, as famílias pagaram menos pela cenoura (-13,58%), batata-inglesa (-5,03%), frutas (-2,91%) e arroz (-1,44%).

Os brasileiros também gastaram mais com saúde e cuidados pessoais, devido a aumentos no plano de saúde (0,66%) e nos produtos farmacêuticos (0,53%). No dia 1º de abril, foi autorizado o reajuste de até 10,08% no preço dos medicamentos, dependendo da classe terapêutica, lembrou o IBGE.

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