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IPCA-15 desacelera, mas inflação segue pressionada

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) desacelerou em outubro, em linha com previsões do Banco Central, que na véspera realizou o segundo corte seguido da taxa básica de juros.

VANESSA STELZER, REUTERS

20 de outubro de 2011 | 13h00

O arrefecimento, no entanto, foi pequeno e a inflação segue sob risco de superar o teto da meta de 6,5 por cento do ano.

O IPCA-15 subiu 0,42 por cento neste mês, ante alta de 0,53 por cento em setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Analistas consultados pela Reuters previam alta de 0,44 por cento.

Em 12 meses até outubro, o indicador subiu 7,12 por cento. O número mostrou um arrefecimento ante a leitura de 7,33 por cento do mês anterior, confirmando prognóstico do presidente do BC, Alexandre Tombini, de que o pico da taxa ocorreria em setembro.

Para o economista do banco de investimentos Raymond James, Mauricio Rosal, a notícia da desaceleração da inflação, ainda que pequena, contribui para dar credibilidade ao discurso do BC e pode ajudar na redução das expectativas de inflação.

"Mas a tese do BC só vai se confirmar quando virmos os dados do primeiro trimestre de 2012". disse Rosal.

O BC já havia informado que não perseguiria o centro da meta de inflação neste ano, para evitar sacrifícios excessivos ao crescimento após uma escalada dos preços de commodities, mas vem repetindo que quer levar o IPCA para o centro do alvo de 4,5 por cento em 2012.

O mercado, contudo, estima que esse objetivo também não será alcançado e prevê uma taxa de 5,61 por cento para o ano que vem, segundo a pesquisa Focus. De acordo com o mesmo levantamento, a projeção para 2011 é de 6,52 por cento.

NÚCLEOS ELEVADOS

O economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Newton Rosa, destacou que os núcleos inflacionários, que excluem do cálculo os preços mais voláteis ou que apresentam variações mais extremas em determinados períodos, seguem bem acima da meta.

"Mostra que você não está tendo um refresco inflacionário", acrescentou Newton Rosa, que prevê que a inflação cheia chegará ao final do ano em cerca de 6,5 por cento.

Entre os três núcleos do IPCA-15 calculados por economistas consultados pela Reuters, o por médias aparadas com suavização teve a maior alta em outubro, de 0,59 por cento, contra 0,52 por cento no mês anterior.

Mesmo com os preços pressionados, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anunciou na noite de quarta-feira um novo corte de 0,5 ponto na Selic, para 11,50 por cento, citando o "ambiente global mais restritivo". Foi o mesmo argumento usado em agosto, quando o BC chocou os mercados ao promover o primeiro corte de 0,5 ponto na Selic após cinco altas seguidas.

Em seu comunicado pós-reunião na quarta-feira, o Copom voltou a falar em ajuste moderado dos juros, reforçando a percepção do mercado de que novos cortes virão, mas que não haverá uma aceleração do ritmo de afrouxamento.

Nesta manhã, as projeções de juro subiam, com os investidores mais agressivos ajustando posições em meio à visão de que o ajuste monetário será moderado.

Em nota, a LCA Consultores afirmou que manteve projeção de que a Selic chegará em 10 por cento até março de 2012, "em contexto de crescimento doméstico abaixo do potencial e lenta desaceleração da inflação, corrente e projetada".

ALIMENTOS AJUDAM IPCA

Entre os componentes do IPCA-15, os custos do grupo Alimentação e bebidas passaram de alta de 0,72 por cento em setembro para 0,52 por cento em outubro. Os de Vestuário também desaceleraram o ritmo de elevação, de 1,0 para 0,38 por cento.

"Alimentos importantes no consumo, apesar de continuarem em alta, reduziram o ritmo de crescimento de preços, a exemplo do leite pasteurizado, do frango, das frutas e carnes. Alguns produtos como hortaliças, tomate e alho tiveram quedas acentuadas no mês", disse o IBGE em nota.

Os preços de Transportes também subiram menos, em 0,57 por cento, contra 0,70 por cento em setembro. Os de Despesas pessoais passaram de aumento de 0,52 para 0,22 por cento.

"Os salários dos empregados domésticos, que passaram de uma variação (positiva) de 0,99 por cento em setembro para 0,10 por cento em outubro, também contribuíram para conter o índice do mês", acrescentou o IBGE.

(Reportagem adicional de Brad Haynes)

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