IPCA-15 fecha 2011 em 6,56%, o maior em 6 anos

Índice considerado prévia da inflação oficial termina o ano acima da meta, depois de acelerar 0,56% em dezembro com alta de alimentos

ALESSANDRA SARAIVA / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h06

O consumidor vai começar o ano-novo com preços em alta no varejo. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial medida pelo IPCA, indicou forte inércia inflacionária ao terminar 2011 com alta de 6,56%. O resultado, acima do teto da meta inflacionária para este ano (6,5%), é o mais elevado em seis anos, e superior ao de 2010 (5,79%).

Em dezembro, a taxa acelerou para 0,56% ante 0,46% em novembro, a mais forte em sete meses, pressionada por alimentos mais caros. As carnes ficaram 4,36% mais caras.

O Relatório Trimestral de Inflação, a ser divulgado hoje pelo Banco Central (BC) deve mostrar mais sobre a visão do governo para a inflação de 2012, segundo a economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa. Para ela, a prévia sinalizou IPCA de dezembro em 0,55%, com alta de 6,56% em 2011, ou seja, fora do intervalo da meta. Porém, a especialista não acha impossível que o indicador encerre o ano "em cima" do teto. Para isso, é preciso que o IPCA feche dezembro com alta máxima de 0,5%. "Mas encerrar o ano com inflação em 6,5% ainda é patamar muito elevado para ser 'carregado' para o ano seguinte."

Para 2012, o emprego em alta deve continuar como motor da demanda interna, na análise do economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa. Ele lembrou o reajuste de 14% para o salário mínimo, que deve contribuir para elevar o poder aquisitivo do trabalhador, principalmente entre famílias de baixa renda. Embora espere aumento da taxa de desemprego de 5,8% para 6,5% em 2012, isso não deve deteriorar o mercado de trabalho a ponto de inibir consumo.

O avanço de preços em 2012 poderia ser contido, em parte, por contribuição deflacionária do cenário internacional, que derruba preços de commodities. Mas, para Rosa, o ambiente externo pode até continuar provocando desacelerações e quedas no mercado doméstico; mas talvez não na magnitude esperada pelo governo. "Eu não vejo o cenário externo se agravando mais do que o atual", afirmou.

Com o mercado interno ainda aquecido, a inflação dos serviços segue como maior preocupação para 2012. No IPCA-15, a variação de preços em refeição fora de casa saltou de 0,75% para 1,13%, a segunda maior contribuição individual para a taxa de dezembro.

A Tendências Consultoria alertou para a possibilidade de manutenção de serviços em alta no ano que vem. Apesar de desaceleração entre novembro e dezembro (0,59% para 0,50%), a variação nos preços deste setor se manteve em 9,01% em 12 meses, o que sinalizou persistência de alta, mesmo com arrefecimento da economia, na análise dos especialistas Alessandra Ribeiro e Bruno Brito.

O poder aquisitivo em alta do consumidor mostra que o governo "errou a mão" nas medidas macroprudenciais, lançadas no final de 2010 para inibir consumo, para a economista da Galanto Consultoria e diretora executiva do Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças, Mônica de Bolle.

"No começo de 2011, a expectativa do governo era de economia mais forte e inflação mais baixa. Agora, no final do ano, tivemos economia aquém do esperado; e inflação além do estimado", resumiu a especialista, que projeta alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 3% "na melhor das hipóteses" para 2012. "A inflação não vai ceder no ano que vem. Eu prevejo que 2012 será um ano igual a este, ou até um pouco pior."

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