Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

IPCA-15 fica em 0,09% em outubro, no menor resultado para o mês desde 1998

No acumulado em 12 meses, taxa ficou em 2,72%, abaixo do piso da meta de inflação para 2019, de 4,25%

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2019 | 09h37
Atualizado 22 de outubro de 2019 | 10h49

RIO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), prévia do indicador oficial de inflação, avançou 0,09% em outubro, mesma taxa registrada em setembro, informou nesta terça-feira, 22, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número – o menor para meses de outubro desde 1998, quando a taxa foi de 0,01% – reforça o cenário de inflação comportada e abaixo da meta perseguida pelo Banco Central (BC), mas não muda muito o quadro desenhado por analistas de mercado. 

 

As estimativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast apontavam para uma alta de 0,03% no IPCA-15 de outubro. Como o IPCA fechado de setembro surpreendeu – registrou queda de 0,04%, quando analistas esperavam alta de 0,02% –, economistas e analistas vinham especulando, desde o início do mês, sobre a possibilidade de o BC acelerar os cortes na taxa básica de juros (Selic, hoje em 5,5% ao ano).

Em julho e em setembro, o BC fez dois cortes de 0,5 ponto porcentual na Selic. O IPCA-15 de outubro tende a arrefecer as especulações de um corte de 0,75 ponto, mas mantém o cenário de mais dois cortes de 0,5 ponto. Com isso, a Selic chegaria ao fim de 2019 em 4,5% ao ano. As cotações do mercado de juros futuros já reduziram as apostas na aceleração dos cortes na manhã desta terça.

“Não há pressão inflacionária, mas o mercado faz uma correção e, assim, diminui a probabilidade implícita de corte maior na Selic, de 0,75 ponto”, explicou Paulo Spyer, diretor de Operações da Mirae Asset.

Mesmo com esses ajustes no mercado de juros, o IPCA-15 acumula alta de 2,72% em 12 meses até outubro, abaixo do piso da meta de inflação para 2019, que é de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. 

Para o economista-chefe do banco de investimentos Haitong, Flávio Serrano, “tudo o que estamos vendo reforça o cenário benigno” para a inflação. O economista estima que o IPCA fechado encerrará o ano entre 3,20% e 3,30%. “Já esperávamos que outubro seria o vale da inflação em 2019, porque você vai se livrando do efeito estatístico da greve dos caminhoneiros (em maio de 2018), os alimentos vão devolvendo a alta do início do ano”, disse Serrano.

A leitura do IPCA-15 de outubro mostra que os preços de gastos relacionados a saúde e higiene pessoal e transportes pressionaram a inflação para cima, enquanto os alimentos e a conta de luz ficaram mais baratos, aliviando o quadro.

Na média, os produtos de “higiene pessoal” ficaram 2,35% mais caros. No grupo Transportes, os combustíveis avançaram 0,77%. “A gasolina, que havia apresentado ligeira queda em setembro (-0,06%), registrou alta de 0,76% em outubro”, diz a nota divulgada pelo IBGE.

Na contramão, o recuo de 0,25% no grupo Alimentação e bebidas foi o terceiro seguido no IPCA-15. A deflação foi puxada pela queda de 0,38% nos preços do grupamento alimentação no domicílio. Os destaques de queda foram cebola (-17,65%), batata-inglesa (-14,00%) e tomate (-6,10%, embora a queda tenha sido menos intensa que a registrada no mês anterior, de 24,83%).

A conta de luz ficou 1,43% mais barata no IPCA-15 de outubro, já que, neste mês, passou a vigorar a bandeira tarifária amarela, em que há cobrança adicional de R$ 1,50 a cada 100 quilowatts-hora consumidos – em setembro, vigorou a bandeira vermelha patamar 1, em que a cobrança adicional é de R$ 4,00 a cada 100 quilowatts-hora. As bandeiras procuram passar ao consumidor a elevação de custos com a geração, quando as usinas térmicas são acionadas, por falta de chuvas para operar as hidrelétricas. / COLABORARAM LUCIANA XAVIER E CÍCERO COTRIM 

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