Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Com alta das passagens aéreas e do gás, inflação de setembro tem alta de 9,57% em 12 meses

A elevação do IPCA-15 no acumulado em 12 meses até setembro é a maior desde dezembro de 2003; as passagens aéreas ficaram 23,17% mais caras no mês

IDIANA TOMAZELLI, O Estado de S. Paulo

22 Setembro 2015 | 09h20

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,39% em setembro, após subir 0,43% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado anunciado nesta terça-feira, o índice acumula altas de 7,78% no ano e de 9,57% em 12 meses.
O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA, que só será divulgada em 7 de outubro. O resultado mensal ficou dentro do intervalo de estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pela Agência Estado, que esperavam inflação entre 0,25% e 0,45%, e levemente acima da mediana, positiva em 0,38%.

A alta de 7,78% no acumulado do ano até setembro é a maior para o período desde 2003. Naquele ano, a alta era de 8,46%. Já a elevação de 9,57% em 12 meses até setembro de 2015 é idêntica à observada em agosto deste ano e a maior desde dezembro de 2003, quando o índice subia 9,86%.

A inflação mantém-se em dois dígitos em quatro das 11 regiões. A região metropolitana de Curitiba segue sustentando o título de inflação mais elevada entre as áreas pesquisadas, com alta de 10,79% no período. Em seguida vêm Goiânia (10,75%), Porto Alegre (10,42%) e Rio de Janeiro (10,18%).

Outras regiões sustentam inflação acima de 9%, como São Paulo (9,84%), Fortaleza (9,50%) e Recife (9,09%). Abaixo desse patamar estão Salvador (8,46%), Belo Horizonte (8,28%), Belém (8,06%) e Brasília (8,05%).

Passagens. As passagens aéreas ficaram 23,17% mais caras em setembro. Com isso, o item adicionou sozinho 0,07 ponto porcentual à taxa de inflação, que ficou em 0,39% neste mês. Juntos, passagens aéreas e gás de botijão (que subiu 5,34%) foram responsáveis por um terço do índice do mês.

Com o resultado das passagens, o grupo Transportes saiu de uma queda de 0,46% no IPCA-15 de agosto para uma alta de 0,78% no dado deste mês. Também contribuíram para o movimento as tarifas dos ônibus urbanos (0,65%) e os serviços de conserto de automóvel (1,08%).

No caso das tarifas de ônibus, a pressão veio da região metropolitana de Belo Horizonte, onde as tarifas subiram 7,60%, refletindo parte do reajuste de 9,68%, em vigor desde 08 de agosto. Embora a alta tenha sido suspensa a partir de 17 de setembro (cumprindo liminar concedida em 14 de setembro), o aumento impactou o índice no período de referência, que foi de 14 de agosto a 14 de setembro.

Alimentos. O grupo Alimentação e Bebidas registrou queda de 0,06%. Foram os alimentos consumidos no domicílio que mais influenciaram o resultado, uma vez que ficaram 0,37% mais baratos em relação a agosto.

Segundo o IBGE, diversos alimentos tiveram queda nos preços, como cebola (-13,77%), tomate (-13,14%), batata-inglesa (-6,80%) e cenoura (-10,29%). O leite longa vida também caiu 1,27%. As carnes, por sua vez, ficaram 0,58% mais caras.

Na alimentação fora de casa, por sua vez, o gasto médio das famílias subiu 0,51% no IPCA-15 de setembro, de acordo com o IBGE. No conjunto, o grupo Alimentação e Bebidas teve impacto de -0,02 ponto porcentual no índice geral, que subiu 0,39% neste mês. 

Mais conteúdo sobre:
IPCA-15IBGEinflação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.