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IPCA-15 não vai influenciar decisão do Copom, diz economista

Para Inês Filipa, da Icap, plano traçado pelo BC já foi sinalizado nos instrumentos de comunicação da autoridade 

Flavio Leonel, da Agência Estado,

20 de abril de 2011 | 15h38

O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de abril não deve interferir na decisão desta quarta-feira, 20, do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa de juros, que já estaria tomada. A avaliação é da economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, que, em entrevista à Agência Estado, disse que o plano traçado pela diretoria do Banco Central já foi sinalizado nos instrumentos de comunicação da autoridade monetária, como a ata da reunião anterior do Copom e o Relatório Trimestral de Inflação divulgado no final de março, que trouxeram a indicação de que medidas macroprudenciais seriam também utilizadas no combate à pressão nos preços.

 A economista, por sinal, alterou desde ontem sua expectativa para o ajuste de juros, de 0,50 ponto porcentual para 0,25 ponto porcentual, depois de uma análise mais criteriosa dos documentos do BC.

"A argumentação, por mais que seja correta ou não, acaba se dirigindo para um ajuste de 0,25 ponto porcentual. Não adianta ficar brigando pelo que achamos que deve ser feito", disse a economista, para quem o cenário pressionado de inflação nos primeiros meses de 2011 exigiria uma postura mais ousada no aumento da Selic, até superior à sua previsão anterior de 0,50 ponto porcentual. "A economia está absorvendo o aumento de juros de 2010 e está reagindo às medidas de controle à oferta de crédito definidas em dezembro e eventuais efeitos que foram feitos agora. E há um fator que o BC também leva em consideração: o nível de renda e a confiança do consumidor estão bastante fortes e acabam mascarando ou impedindo que a economia reaja ao efeito contracionista da política monetária", opinou.

Para Inês Filipa, com uma Selic a 12% ou 12,25%, o Banco Central corre "sérios riscos" de não conseguir cumprir a meta de inflação perseguida para 2012. "Mas ele (o BC) acredita no cenário dele, que é diferente do cenário de mercado, e não vai mudar o que está observando nem vai fazer um choque de juros", afirmou, alertando que o próprio cenário de câmbio continua sendo um obstáculo para novas altas nos juros. "Outro fator também é que o BC aumentou o prazo de convergência da inflação, já que antes era de um ano e, agora, é de 18 a 24 meses", acrescentou, referindo-se à sinalização da autoridade monetária de que a inflação tende a convergir para à meta somente a partir do ano que vem.

Especificamente sobre o resultado do IPCA-15 de abril, que registrou alta de 0,77% e veio idêntico à mediana do levantamento do AE Projeções com 33 economistas, que previam um intervalo de alta de 0,64% a 0,86%, a economista-chefe da Icap Brasil avaliou que o mercado financeiro já sabe que o mês de abril será um mês de inflação pressionada e deve começar a mirar o mês de maio, que poderia ter uma desaceleração importante da inflação. Ela trabalha inicialmente com uma projeção de IPCA fechado de abril no nível de 0,83% e, para maio, com uma taxa de 0,45%.

"Desde segunda-feira, eu já tinha um pensamento de que o IPCA-15, independente do que viesse, não teria nenhuma interferência na decisão de política monetária. Para mim, a decisão do BC já está tomada, independente do que vier", comentou Inês Filipa. "Ele (o BC) está olhando para maio, que é a grande expectativa", complementou.

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