Maira Vieira/Estadão
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ESG

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IPCA-15 recua 0,01% em abril, no menor resultado para o mês desde o Plano Real

Alimentos e bebidas, porém, ficaram mais caros; entre as principais quedas estão os preços dos combustíveis

Daniela Amorim e Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 10h19

RIO E SÃO PAULO - A prévia da inflação oficial no País mostrou uma redução de 0,01% nos preços da economia em abril, o menor resultado para o mês desde a implantação do Plano Real. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCS-15), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os preços foram coletados no período de agravamento da pandemia do novo coronavírus no Brasil: entre 17 de março e 14 de abril. O resultado veio ainda mais baixo dos que a expectativa mediana dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma alta de 0,03%.

Em meio às medidas de isolamento social e restrição à circulação de pessoas, a maior procura das famílias por alimentos nos supermercados pressionou os preços de itens importantes da cesta básica. O custo de alimentação e bebidas saltou 2,46%. Ficaram mais caros a cebola, tomate, batata-inglesa, cenoura e frutas.

"Isso com certeza é efeito das pessoas consumindo mais em casa", disse o economista-chefe do Haitong Banco de Investimento, Flávio Serrano.

Por outro lado, os consumidores gastaram menos com transportes. O destaque foi o recuo de 5,76% nos combustíveis, como consequências de sucessivas quedas na cotação internacional do barril do petróleo. A gasolina ficou 5,41% mais barata nas bombas em abril, o item de maior contribuição negativa para a inflação do mês. O preço do etanol caiu 9,08%, enquanto o óleo diesel teve redução de 4,65%. As famílias também gastaram menos em abril com o seguro voluntário de veículo, transporte por aplicativo e aluguel de veículo.

O grupo Artigos de residência foi o que teve a maior redução de preços em abril, uma queda de 3,19%, com recuos nos eletrodomésticos, itens de mobiliário e equipamentos de TV, som e informática.

Ao todo, seis dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados no IPCA-15 registraram deflação em abril: além de Transportes e Artigos de residência, também houve redução nos gastos com Saúde, Educação, Comunicação e Despesas pessoais.

"De maneira geral, estamos falando de um IPCA muito baixo, com núcleo muito benigno. O acumulado do primeiro semestre deve ficar em 0%, ou ligeiramente negativo. Já tivemos o primeiro trimestre mais baixo, vamos ter deflação no segundo trimestre e o primeiro semestre mais baixo da série", previu a economista Julia Passabom, do Itaú Unibanco.

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