JF Diório/Estadão
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IPCA-15 sobe 0,19% em novembro, menor resultado para o mês desde 2003

No ano, índice acumula alta de 4,03%; o maior impacto foi do grupo alimentação, que teve alta de 0,54%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2018 | 09h57

RIO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,19% em novembro, após ter avançado 0,58% em outubro, informou nesta sexta-feira, 23, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado é o mais baixo para o mês de novembro desde 2003, quando a inflação foi de 0,17%. Em novembro do ano passado, a taxa do IPCA-15 foi de 0,32%.

O número ficou abaixo da mediana (+0,25%) das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam alta entre 0,03% e 0,31%.

Com esse resultado, o IPCA-15 acumula aumento de 4,03% no ano. A taxa acumulada em 12 meses passou de 4,53% em outubro para 4,39% em novembro, abaixo do centro da meta de 4,5% perseguida pelo Banco Central.

Alimentação mais cara

As famílias brasileiras gastaram 0,54% mais com alimentação em novembro, após a alta de 0,44% registrada em outubro, segundo dados do IPCA-15.

O grupo foi o de maior impacto sobre o índice, com contribuição de 0,13 ponto porcentual, o equivalente a 68% da inflação de 0,19% registrada no mês.

O custo da alimentação no domicílio subiu 0,85% em novembro, após o avanço de 0,52% em outubro. O preço do tomate aumentou 50,76% em novembro, item de maior impacto no IPCA-15 - 0,09 ponto porcentual de contribuição para a inflação. 

Também ficaram mais caras a batata-inglesa (17,97%) e a cebola (10,01%). Por outro lado, houve redução no leite longa vida (-3,74%), café moído (-1,10%) e ovos (-0,45%).

A alimentação fora de casa passou de alta de 0,30% em outubro para uma ligeira queda de 0,01% em novembro. Os destaques foram as reduções no lanche fora de casa (de 0,74% em outubro para -0,33% em novembro) e na refeição consumida fora do domicílio (de 0,26% em outubro para -0,05% em novembro). 

Menos pressão dos combustíveis

Os combustíveis diminuíram o ritmo de alta nos preços, pressionando menos a inflação. Os custos dos Transportes saíram de um avanço de 1,65% em outubro para elevação de 0,31% em novembro. 

Após a alta de 4,74% registrada em outubro, os combustíveis aumentaram 0,69% em novembro. O litro da gasolina subiu 0,05% neste mês, ante alta de 4,57% em outubro. O litro do etanol ficou 3,32% mais caro no mês, enquanto o óleo diesel aumentou 1,38%.

Também contribuíram para o resultado de novembro as quedas nos preços dos automóveis novos (-0,38%), dos acessórios e peças (-0,49%) e do seguro voluntário de veículo (-0,66%), que tinham apresentado alta no mês anterior.

A conta de luz voltou a dar uma trégua ao orçamento das famílias em novembro. A energia elétrica recuou 1,46%, após já ter diminuído 0,08% em outubro.

O movimento foi puxado pela substituição da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em outubro, que adicionava R$ 0,05 a cada kwh consumido, pela bandeira tarifária amarela em novembro, com a cobrança de R$ 0,01 para cada kwh consumido.

Isso apesar da pressão dos reajustes de 15,56% em Goiânia e de 6,18% em Brasília, ambos em vigor desde 22 de outubro. Em São Paulo, o reajuste foi de 15,23% em uma das concessionárias, no dia 23 de outubro. 

O gás de botijão passou de alta de 0,46% em outubro para queda de 0,37% em novembro. O gás encanado teve elevação de 0,90% este mês, devido ao reajuste médio de 4,61% nas tarifas residenciais no Rio de Janeiro a partir de 1.º de novembro.

Os gastos das famílias com Habitação recuaram 0,13% em novembro, após terem aumentado 0,15% em outubro. 

Efeito da desaceleração

Com a desaceleração do índice, somada à forte queda do petróleo na manhã desta sexta-feira em Nova York, houve recuo das taxas futuras em geral.  

A desvalorização da commodity reforça a tese de analistas de que a inflação dos combustíveis irá arrefecer, contribuindo para um IPCA mais baixo e, assim, para a manutenção da Selic inalterada por mais tempo.

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