Tiago Queiroz
Tiago Queiroz

Prévia da inflação oficial acelera para 0,66%, a maior alta para outubro em 13 anos

Botijão de gás, gasolina e alimentação fora de casa pesaram no bolso do consumidor; em 12 meses, índice acumula alta de 9,77%

Idiana Tomazelli , O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2015 | 09h05

Atualizado às 10h

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) - considerado uma prévia da inflação oficial - subiu 0,66% em outubro, após aumento de 0,39% em setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do maior resultado para o mês desde 2002, quando o índice avançou 0,90%.

Botijão de gás, gasolina e alimentação fora de casa foram os itens que mais pesaram no bolso do consumidor. Com o resultado anunciado hoje, o índice acumula alta de 8,49% nos dez primeiros meses do ano, o maior resultado para o período desde 2003 (9,17%). Já em 12 meses até outubro de 2015, o avanço chega a 9,77%, o mais elevado desde dezembro de 2003 (9,86%). 

O dado deste mês ficou dentro do intervalo de estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, que esperavam inflação entre 0,58% e 0,72%, e abaixo da mediana, positiva em 0,68%.

Pressionado por uma recessão cada vez mais profunda e uma inflação cada vez mais alta, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anuncia nesta quarta-feira a sua decisão de política monetária. Certos de que o mergulho do PIB empurrará a inflação mais para perto do centro da meta em 2016, os 73 analistas consultados pelo AE Projeções afirmaram que a Selic deverá permanecer em 14,25% ao ano.  

Pressões. Sete dos nove grupos que compõem o IPCA-15 ganharam força na passagem de setembro para outubro. Os principais destaques ficaram com Habitação (0,68% para 1,15%), Transportes (0,78% para 0,80%) e Alimentação e Bebidas (-0,06% para 0,62%). Juntos, eles responderam por mais de dois terços da taxa deste mês (0,48 ponto porcentual).

O aumento de 10,22% nos preços do botijão de gás fez com que o item exercesse o principal impacto individual (0,11 pp). O resultado se deve ao reajuste de 15% nas refinarias autorizado pela Petrobrás desde 1º de setembro. O repasse para o consumidor, no entanto, superou essa taxa, chegando a 16,11%, segundo o IBGE.

A segunda principal influência veio dos combustíveis. Só a gasolina ficou 1,70% mais cara, reflexo de parte do reajuste de 6% praticado pelas refinarias desde 30 de setembro. Além disso, o etanol subiu 4,83% nas bombas, o que contribui para a alta da gasolina, já que faz parte de sua composição.

Já os alimentos consumidos em casa subiram 0,39%, incluindo itens como frango inteiro (5,11%), batata-inglesa (4,22%), arroz (2,15%), pão francês (1,14%) e carnes (0,97%). Enquanto a alimentação fora avançou 1,06%, com destaque para a refeição fora de casa (1,15%). 

Mais conteúdo sobre:
inflação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.