J. Scott Applewhite/ AP
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d1000 faz IPO, ações caem 12% e investidor é penalizado: o que deu errado?

IPCA-15 tem alta de 0,22% em fevereiro, no menor resultado para o mês desde o início do Plano Real

A queda no preço das carnes em fevereiro foi o principal fator de desaceleração do índice, que havia subido 0,71% em janeiro

Daniela Amorim, Emily Behnke e Thaís Barcellos, O Estado de S. Paulo

20 de fevereiro de 2020 | 09h52
Atualizado 20 de fevereiro de 2020 | 16h13

A prévia da inflação oficial no País subiu 0,22% em fevereiro, o menor resultado para o mês desde o início do Plano Real, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 20.

"(O resultado) Reforça que a inflação pode fica mais perto de 3% do que de 3,5%", afirmou o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, sobre a expectativa para o IPCA de 2020.

Passado o choque de preços, as carnes ficaram mais baratas, derrubando também os gastos das famílias com alimentação, a despeito das pressões dos aumentos no tomate e na batata-inglesa. As carnes tiveram queda de 5,04% em fevereiro, depois da alta de 4,83 em janeiro.

Além de alimentos, houve deflação nas despesas com vestuário (-0,83%) e saúde e cuidados pessoais (-0,29%). Por outro lado, os reajustes das mensalidades escolares em fevereiro pesaram no orçamento. As despesas com educação subiram 3,61%, ficando responsáveis por praticamente toda a inflação do mês.

"No curto prazo, a inflação está bastante comportada, o mercado deve continuar reduzindo as estimativas de IPCA para o ano, dado que a inflação corrente está mais fraca do que o esperado", previu o economista Daniel Lima, do Banco ABC Brasil.

Ainda que o cenário inflacionário seja benigno, o Banco ABC Brasil espera que taxa básica de juros, a Selic, seja mantida nos atuais 4,25% ao ano até o fim de 2020. No entanto, Daniel Lima pondera que, se a atividade econômica continuar frustrando as expectativas e começar a reduzir as projeções para o IPCA de 2021, o movimento pode abrir espaço para um novo corte de juros no fim do primeiro semestre ou início do segundo semestre.

Fábio Romão, da LCA Consultores, acredita que o Banco Central não mexa na taxa de juros, mantendo a tendência de avaliar antes os efeitos futuros dos baixos níveis da taxa Selic. Para ele, o BC também vai monitorar os impactos de uma eventual retomada da atividade econômica global na segunda metade do ano, especialmente na China, que ainda lida com as consequências da epidemia de coronavírus.

"O Banco Central que ver que riscos inflacionários poderão ocorrer com uma retomada da atividade global na segunda metade do ano", ressaltou Romão, que vê a grande ociosidade da economia brasileira um limitador de pressões sobre a inflação doméstica.

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