IPCA abaixo do esperado pode manter Selic

A redução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro abaixo do esperado criou mais um componente para a manutenção da taxa de juro básica da economia, a Selic, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima quarta-feira. Alguns analistas esperam, inclusive, que a taxa deverá ficar no patamar atual, de 15,75%, pelos próximos meses. No mercado, surgiram até comentários de que a taxa poderá subir, apesar de a hipótese ser descartada por analistas. Mantido o ritmo da inflação do primeiro bimestre, de 1,03%, a taxa do ano ficaria em 6,34% no acumulado do ano, ante o centro da meta de 4% e limite máximo de 6%.O economista Celso Toledo, da MCM, por exemplo, não vê incoerência caso o Banco Central (BC) eleve a Selic para reduzi-la posteriormente. Ele destaca que as projeções de inflação são elaboradas em relação a indicadores passados e que nunca o Brasil teve inflação tão baixa e fundamentos tão bons. Segundo ele, enquanto houver incerteza em relação ao ritmo de crescimento da economia, o núcleo do IPCA estiver crescendo - como ocorreu em janeiro e fevereiro -, o câmbio continuar pressionado e a balança comercial manter resultados negativos, o ideal será cautela. Tanto ele como o economista-chefe do JP Morgan, Marcelo Carvalho, avaliam que aumentaram as chances de a meta da inflação, de 4% para este ano, não ser acertada na mosca, como ocorreu no ano passado, quando a meta era de 6%.O economista do Banco Santos, Rogério Mori, avalia que a pressão sobre o preço dos alimentos, educação e transportes deve tornar o BC mais conservador, mesmo que haja uma queda mais acentuada dos juros nos Estados Unidos na terça-feira.Em relatório distribuído aos clientes, o economista Octávio de Barros, do BBV Banco, sugere que esSe novo cenário inflacionário torna bastante provável a repetição da mesma estratégia do BC no passado, mantendo a taxa de juros inalterada por vários meses. Ele destaca que entre julho e dezembro do ano passado, a Selic ficou em 16,5%. Barros avalia também que não deve ser descartada a hipótese de o BC atuar no câmbio para conter a volatilidade da moeda, que ontem bateu em R$ 2,085, na máxima do dia. Isso porque a volatilidade de câmbio gera pressão sobre os preços.No mercado de juros, as taxas subiram ontem, refletindo o aumento das incertezas. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o volume cresceu nos contratos mais negociados e os investidores resolveram zerar posições. A zeragem de posições é indicada pelo número decrescente de contratos em aberto para o vencimento em outubro, o mais líquido. Essas posições "pendentes" caíram de 188 mil para 173 mil contratos entre anteontem e ontem. O volume negociado cresceu de 219 mil de anteontem para 269,8 mil ontem.Além do aumento de negócios e alta do volume de contratos em aberto, o juro projetado entre ontem e outubro cresceu, de 16,06% para 16,26%, depois de chegar a 16,5% na máxima do dia, também demonstrando mais incertezas.Segundo operadores, o mercado aguarda a avaliação do pacote da Argentina e o resultado da queda-de-braço entre o mercado norte-americano e o Federal Reserve para a redução das taxas nos EUA. O mercado avalia que as bolsas só esboçarão reação das fortes quedas da semana se os fed funds tiverem redução superior a 0,5%.

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