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IPCA atinge 6,41% e encosta na meta

Pressionado pelos alimentos, índice sobe 0,45% em outubro

Jacqueline Farid, RIO, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

Os alimentos voltaram a pressionar a inflação. O índice oficial, referência para as metas do governo, subiu em outubro, já exibindo os efeitos, ainda moderados, da alta do dólar. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,45%, ante 0,26% em setembro. Superou a média das projeções do mercado financeiro (0,42%) e interrompeu o período de quatro meses de desaceleração.O IPCA já acumula alta de 6,41% em 12 meses, esbarrando no teto da meta estabelecida pelo Banco Central para este ano, de 6,5%. Os alimentos, que assumiram o papel de vilões da inflação até julho, registraram deflação em agosto (-0,18%) e setembro (-0,27%), voltando a elevar preços em outubro (0,69%). O grupo de alimentos foi responsável por 35%, ou 0,16 ponto porcentual da taxa do mês.A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos foi cautelosa quanto ao peso do dólar no desempenho dos preços finais ao consumidor. Ela disse que "há indícios, uma leve sensação" de que a alta do câmbio, que se intensificou a partir de setembro, já tenha tido impactos na taxa de outubro, sobretudo em alimentos e grupos com forte participação de importados, como vestuário (1,27%). Porém, segundo ela, a redução da oferta no mercado interno de produtos como feijão (5,66%), arroz (1,46%) e carnes (3,61%), em entressafra, foram os principais fatores a pressionar a taxa. Segundo explica Eulina, como a oferta desses produtos alimentícios está escassa no mercado doméstico, pode estar havendo importação, que encareceu com a alta do dólar. Para Luiz Roberto Cunha, economista da PUC-RJ, o impacto do câmbio sobre o IPCA de outubro foi "muito pequeno e diluído" e a principal pressão sobre a taxa veio de influências sazonais sobre os preços do feijão, carne e vestuário: "O resultado não foi nada assustador, ainda que tenha vindo um pouco acima do que se esperava".Ele exemplifica que aparelhos como TV, som e informática, com impacto direto do câmbio, ainda registraram deflação (-0,35%). Para Cunha, o IPCA vai ter variação em torno de 0,60% em novembro e dezembro e deverá fechar 2008 "batendo na trave" do teto da meta definida pelo Banco Central, de 6,50%. De janeiro a outubro, o índice acumula alta de 5,23%. Segundo o economista, daqui para frente as variáveis determinantes para o desempenho da inflação serão o câmbio e o nível de atividade econômica. No que diz respeito ao câmbio, Cunha acredita que haverá impactos um pouco mais significativos nos preços no varejo em novembro e dezembro, mas nada assustadores se o dólar mantiver a cotação em torno de R$ 2,15. A atividade, por outro lado, deverá desacelerar o ritmo e ajudar a conter os preços.Ao contrário de Cunha, o analista da Tendências Consultoria, Gian Barbosa, considera que o IPCA divulgado ontem mostrou que "as preocupações relacionadas à inflação no curto prazo continuam elevadas", já que houve alta na taxa "mesmo com uma pequena parcela incorporada do impacto da intensa depreciação cambial". Barbosa argumenta que os resultados são preocupantes porque ainda haverá algum efeito do câmbio nos próximos meses, a atividade doméstica "ainda não mostra sinais de desaceleração significativa" e, além disso, "há um relevante risco" de reajustes em transporte público neste final de ano.

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