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IPCA: como a inflação é medida e como influencia os investimentos

O índice oficial da inflação brasileira detalha a variação de preços em cada setor e é usado como referência para rentabilidade de aplicações

Ana Luiza de Carvalho, especial para o Estado

12 de junho de 2019 | 10h28
Atualizado 21 de outubro de 2019 | 09h21

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mede a inflação oficial no Brasil no consumo final, ou seja, as compras das famílias no comércio varejista.

O índice existe desde 1980 e o cálculo, feito com base no Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC), leva em conta despesas com:          

  • Alimentação e bebidas;        
  • Habitação;     
  • Artigos de residência;           
  • Vestuário;      
  • Transporte;    
  • Saúde e cuidados pessoais; 
  • Despesas pessoais;  
  • Educação;     
  • Comunicação.          

O IPCA usa como referência famílias com orçamento de 1 a 40 salários mínimos, o que representa 90% do total da população brasileira em áreas urbanas. O índice coleta dados das capitais:

O índice leva em conta a inflação dos 30 dias anteriores à divulgação e revela quanto os preços subiram no período. A inflação no mês de abril de 2019, por exemplo, foi de 0,57%. Em maio, o índice despencou para 0,13%. Isso não significa que os preços caíram: eles apenas subiram com intensidade menor que no período anterior. Se o índice é negativo, significa que houve redução nos preços – a chamada deflação.    

            

O Conselho Monetário Nacional (CMN) define metas para o IPCA. O objetivo é dar estabilidade à economia brasileira, dando segurança à população e incentivando investimentos. O principal instrumento usado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para manter a inflação próxima à meta é a taxa de juros básica da economia, a Selic: se a inflação é considerada alta, a meta da taxa de juros é elevada. Com a taxa de juros mais alta, a população tem menos acesso a crédito e consome menos. Consequentemente, a demanda diminui e os preços caem.  

Como o IPCA é calculado

Cada categoria de gasto tem um impacto sobre o índice. Alimentação, por exemplo, representou em 2019 23,12% do cálculo do IPCA - a maior participação de todas as categorias. A partir de 2020, o peso cairá para 18,98%. Já os gastos com habitação passarão a ter maior peso em 2020: de 14,27%, passam para 15,15%. Os pesos são distribuídos de acordo com as categorias que representam os maiores gastos da população, e, desde 2012, os preços são fornecidos pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

 

“Quando você tem uma mudança da cesta de produtos consumida pela família brasileira, precisa reponderar, e isso acontece frequentemente”, explica Joelson Sampaio, professor e coordenador da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EESP/FGV).   

Como o IPCA afeta os investimentos 

O IPCA é usado como referência em vários investimentos em renda fixa, que representam uma opção para investidores conservadores – esses títulos não são mais arriscados do que a caderneta de poupança e costumam ter rentabilidade melhor. 

Um exemplo é o Tesouro Direto, mecanismo em que o governo federal emite e vende títulos para financiar a dívida pública. O período de capitalização varia de acordo com cada título: o IPCA 2045, por exemplo, é remunerado de acordo com a inflação até o vencimento, em maio de 2045. Para quem tem planos de usar o dinheiro em um prazo menor, uma alternativa é o IPCA 2024.       

Outra modalidade de investimento do Tesouro são os títulos IPCA com juros semestrais, em que não é preciso esperar o vencimento para receber os rendimentos. Nesse caso, porém, o período de capitalização é “zerado” a cada semestre: o título volta a render com base no valor que o investidor aplicou inicialmente, e não mais nos juros compostos acumulados durante o período. “O título com juros semestrais vale a pena quando se tem uma expectativa de que os juros vão aumentar”, explica Joelson Sampaio. 

O professor alerta ainda que mesmo quem não investe no Tesouro Direto deve ficar atento às variações do IPCA, já que a alta da inflação pode desvalorizar o real e, com isso, diminuir o poder de compra da população. “Acaba afetando negativamente um dos principais investimentos da família brasileira, que é a poupança. A rentabilidade real pode ficar negativa”, afirma Sampaio. 

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