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IPCA de abril deve cair à metade em relação ao registrado em março

Economistas esperam que a inflação oficial de abril fique entre 0,70% e 0,75%, influenciada pela retração nos preços dos combustíveis

Maria Regina Silva, Ricardo Leopoldo e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2015 | 12h44


SÃO PAULO - A inflação fechada de abril deve quase cair à metade em relação a março, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou com alta de 1,32%. A avaliação é da MCM Consultores, que estima o IPCA fechado o mês entre 0,70% e 0,75%, influenciado pela expectativa dos impacto finais da alta das tarifas de energia elétrica e de retração nos preços dos combustíveis.  

No IPCA-15 deste mês, de 1,07%, a variação de 13,02% em energia elétrica contribuiu com 0,45 ponto porcentual do resultado, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já combustíveis limitaram uma taxa maior do indicador cheio. A gasolina cedeu 0,27%, enquanto o etanol recuou 1,64%.  

"A gasolina cedeu, refletindo a dissipação dos aumentos de tributos e os efeitos iniciais da elevação da mistura de etanol anidro de 25% para 27%. Etanol acompanhou o recuo dos preços nas usinas", explica a consultoria.  

O resultado do IPCA-15 veio acima da projeção de 1,00% da MCM porque, segundo a instituição, houve altas mais fortes que as esperadas no grupo serviços (de 0,85% ante projeção de 0,65%), devido a passagem aérea (10,30%), alimentação fora do domicílio (1,25%) e empregado doméstico (1,12%).

Juros. O economista-chefe do Icatu Vanguarda, Rodrigo Melo, espera que o IPCA de abril fique em 0,74%. Segundo ele, se essa previsão for confirmada, será determinante para o Banco Central aumentar os juros em 0,50 ponto porcentual no próximo dia 29. Atualmente, a Selic está em 12,75% ao ano.

Para o economista da RC Consultores Marcel Caparoz, a Selic deve encerrar o ano em 13,50%. Ele acredita que a inflação está sendo içada, principalmente, pelos reajustes dos preços administrados e, em especial, pela energia elétrica. 

"Sobre este tipo de inflação, taxa de juros não resolve, porque ajuste de preços administrados se faz por meio de canetada de presidente. E sobre a caneta da presidente, a Selic não atua. Mas o BC precisa continuar a afirmar o compromisso com a convergência da taxa de inflação para o centro da meta para evitar que o mercado passe a mirar sempre uma inflação de 6,50%", ponderou o economista.  

Para ele, a energia elétrica desarrumou a dinâmica da inflação no País. Só no IPCA-15 de abril, conforme divulgou há pouco o IBGE, a tarifa energia elétrica subiu 13,02%. "Sem a tarifa de energia, o IPCA-15 teria ficado em torno de 0,70%. Manteria o IPCA acima do teto da meta, mas não ao redor de 8%", disse Caparoz, acrescentando que o ruim é que o peso da energia elétrica no IPCA, que hoje está em 3,46%, vai mudando conforme a tarifa vai sendo aumentada. Em setembro do ano passado, o peso da energia era de 2,83%. 

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