Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Com alta de 0,36%, inflação de julho é a maior para o mês desde 2016

Preços da gasolina e da energia elétrica puxaram o IPCA do mês passado, segundo o IBGE

Daniela Amorim, Cícero Cotrim e Gregory Prudenciano, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 09h11
Atualizado 07 de agosto de 2020 | 13h25

RIO e SÃO PAULO - A inflação oficial no País acelerou na passagem de junho para julho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de uma alta de 0,26% para 0,36%, maior taxa para meses de julho desde 2016, informou nesta sexta-feira, 7, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado, porém, foi impulsionado por apenas três itens: gasolina, conta de luz e carnes. A gasolina subiu 3,42%, enquanto a energia elétrica avançou 2,59%. Os dois responderam juntos por 75% da inflação de julho. Sob pressão da demanda chinesa por proteína bovina brasileira, as carnes ficaram 3,68% mais caras, contribuindo com os 25% de inflação restantes.

O desempenho dos preços na economia ficaram em linha com o estimado por analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, confirmando a visão de um cenário inflacionário comportado.

“Não há sinal de pressão de demanda por enquanto”, garantiu Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

A despeito da flexibilização das medidas de isolamento social adotadas no combate à pandemia do novo coronavírus, a maior movimentação de consumidores nas ruas ainda não influenciou os preços. Os serviços, mais sensíveis à demanda, voltaram a registrar deflação: -0,11%. Os bens e serviços monitorados pelo governo, que incluem a gasolina e a energia elétrica, tiveram elevação de 1,23% em julho.

Segundo Kislanov, as pessoas estão consumindo menos em alguns setores, o que explica reduções de preços consecutivas, como a dos artigos de vestuário, que já recuam pelo terceiro mês seguido. Ele lembra que o mercado de trabalho - nível de empregos e salários - também influencia na calibragem de preços em relação à demanda, e não apenas a reabertura dos estabelecimentos.

“Estou em trabalho remoto. Minha demanda por roupas, por camisa social para trabalhar, acaba sendo muito menor”, exemplificou Kislanov. “A gente está num cenário de retração econômica, precisa levar isso em consideração. Produtores e vendedores de bens e serviços não têm muita margem para aumentar preço. Tem capacidade ociosa grande na economia, muitas pessoas perderam seu emprego, sua renda. Uma retomada de trabalhos e salários vai ser gradual.”

No fechamento de agosto, economistas esperam que a inflação perca força, com a captação pelo IPCA dos descontos nas mensalidades escolares concedidos por escolas particulares.

"O IBGE praticamente só coleta preços de educação em fevereiro e agosto, então todos os descontos do ano vão aparecer agora", explicou a economista Julia Passabom, do Itaú Unibanco.

A taxa acumulada pelo IPCA em 12 meses acelerou de 2,13% em junho para 2,31% em julho, ante uma meta de 4% perseguida pelo Banco Central este ano. O economista-chefe da gestora de recursos Ativa Investimentos, Étore Sanchez, prevê que a inflação encerre o ano em 1,0%, o que reforça sua aposta na manutenção da taxa básica de juros, a Selic, nos atuais 2,0% ao ano.

"Acho que vai permanecer em 2,0% até o final de 2021, de olho no regime de metas. Quando o final de 2021 chegar, e o Banco Central começar a olhar para 2022, começa a subir a fim de botar os juros em um patamar neutro", estimou Sanchez, que espera a Selic em 6,0% no fechamento de 2022.

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